delicadas relações
tenho por princípio não fazer postagens lastreadas em comentários e textos de blogueiros ou escritores amigos. no entanto, alguns temas, sobretudo aqueles que dizem respeito à minha condição feminina, me são tão íntimos que não resisto à tentação de abordá-los aqui.
desde que o mundo é mundo homens e mulheres se relacionam e, dentro de uma perspectiva de orientação heterossexual, não resta dúvida de que nascemos uns para os outros. o encaixe é perfeito. complementamo-nos em nossas diferenças. e isso já estaria de bom tamanho não fosse a crescente desigualdade que desembocou em subserviência, violência e injustiça.
nada mais natural, então, que a mulher, insatisfeita, se rebelasse contra a imposição de um modelo ou papel forjado sem o seu consentimento e que não expressava sua vontade real.
mulher nasceu para ser o quê? ser mãe? não, definitivamente. mulher nasceu para ser humana e a maternidade, dádiva que eu não contesto, é uma opção. maravilhosa, sem dúvida, mas sempre uma opção. meu corpo é meu corpo: eu resolvo. algo que, em minha opinião, desponta claro como água, simples como a mais simples das operações aritméticas.
mulher nasce para ser o quê, afinal? para ser feliz, para conhecer, para ter dúvidas, para ser curiosa, para buscar. tanto quanto o homem.
hoje, em 2009, vêmo-nos à frente de uma nova realidade: da mulher que ocupa espaços, que sustenta a família, e que, sim, também cabe no mundo como um ser inteiro. independente de qualquer entendimento preconceituoso, a mulher constrói, e muito bem, as pontes ou pilares que a sustentarão gerações afora. e isso é ótimo, porque não há como ser feliz em um mundo que não ofereça oportunidades iguais para todos.
lamento muitíssimo por aqueles cuja visão maniqueísta não lhes permite entender o empoderamento da mulher como um direito.
lamento demais por aqueles que, embora digam aceitar a mulher como uma igual e com direitos iguais, ainda creem que, dentro de casa, a mulher deve acolhe-los como seus machos provedores.
lamento igualmente que muitos ainda acreditem que a indumentária da mulher possa servir de convite ou justificativa para um crime de estupro.
também não consigo apreender, embora faça um esforço imenso, a idéia de que a independência da mulher seja responsável pelo aumento da infidelidade feminina, pelo naufrágio das relações, pela fragilização da figura masculina. ora, o mundo mudou, todos os dias novos conceitos se incorporam à nossa realidade. ignorá-los é perder oportunidades. naturalmente, a mulher independente se sente livre para caminhar com as próprias pernas e desenvolver seus potenciais sem a necessidade de pedir permissão. ela já não teme, não tanto quanto antes, buscar a felicidade, nem que para isso precise romper com antigos elos. a infidelidade sempre esteve presente em relações pontuadas pela insatisfação e falta de amor. se, para muitos homens, a infidelidade é instintiva, para as mulheres ela só acontece quando o amor já está em seus estertores e a felicidade deixa de ser uma realidade para se tornar um sonho.
de fato, desde que o mundo é mundo homens e mulheres se relacionam, e tudo seria muito bonito se as diferenças fossem respeitadas, se não fossem usadas para subtrair direitos, se não fossem manipuladas para fazer sofrer. seria tudo muito bonito se os direitos da mulher fossem aceitos de maneira integral e sincera, não como meras concessões que se fazem a crianças caprichosas.
meus amigos, eu sou mulher, sou mãe e sou feminista. e tenho muito orgulho disso.
abraços desta amiga louca pra sair em férias.
creio que na postagem anterior me expressei mal ao escrever que 'voltamos em março'. quem volta em março é o site das escritoras suicidas, do qual faço parte... *;)
mariza lourenço
recomendo
bicho-da-mata, eu. (da sra. urtigão)
la escena de la memoria (da aninha peluso)
o buraco da fechadura (do jornalista de amenidades)
o lugar que importa (do marcelo novaes)








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