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18/01/2009

matando leões... *;)



Romério Rômulo, um poeta de respeito, dono de um blogue pra lá de excelente (que eu re-indico aqui), além de colaborador precioso da Germina - Revista de Literatura e Arte, perguntou o motivo de meus sumiços. e eu aproveito a pergunta desse amigo querido, para satisfazer a curiosidade de outros amigos que, tantas vezes, ficam sem entender as minhas 'desaparecenças'.

pois bem, há dois anos venho tentanto, sem sucesso, entrar em férias. e por férias leiam, por favor, viagem. infelizmente, por inúmeros motivos, não tenho conseguido botar o pé na estrada: uma hora é vestibular de filho, noutra hora é médico marcado de mãe, em horas alhures são trabalhos que não posso desprezar. e assim, adiando viagens e descanso, opto por uma 'desaparecidinha' básica para meditar um pouco, para expurgar a sensação incômoda da falta de mudanças.

para tristeza da minha família e daqueles que convivem comigo diariamente, esta relação nada amigável com a rotina me deixa mais séria e menos propensa à alegria. nada que seja, realmente, preocupante, mas de todo modo, menos alegre e inspirador.

de qualquer forma, para 2009:

1- meu site: tomei vergonha na cara. em 2009 meu site estará no ar. já comprei domínio, contratei host e vou colocar o bloco inteiro na net. dependo de um certo moço, artista, arquiteto e músico pra me ajudar na empreitada. márcio enrico, faça-me a gentileza.

2- outro blogue: de duas amigas, layla lauar e mariza lourenço. nada de literatura. uma é psicóloga, a outra advogada. o que irá sair desse 'imbróglio', realmente não sei... *;)

3- o proseando continua, claro, com o objetivo de apresentar meus textos (quando houver a inspiração) e difundir a boa literatura nesse grande e maravilhoso mundo virtual.


e pra não dizer que não falei de flores, deixo aqui:

a poesia maravilhosa de Romério Rômulo:

"meu cavalo selvagem, meu morcego

1.

meu cavalo selvagem, meu morcego
rebuscam o sertão atávico.
quando aquilante da noite,
revivo a árvore sem escrúpulos de mim.
os corpos nutrem espaços. vertem ossos
que quebram meu estado breve.
de emoção vou refazer meus gonzos.

2.

quisera o aço de quirera, a quirera de aço
que ruboriza a face:
um poema que nutra a vida de carne.
seja breve meu estro. seja ralo e breve,
como breves e ralas as palavras avançam
sobre o corpo do povo.
o ar é puro manejo. não há vento
que esconda meu grito.

(per augusto)"


e um texto de Letícia Palmeira (gente, Letícia é ótima, seus textos são um escândalo de lindos):


"café sem açúcar


Com amor e com afeto
Eu entro em sua cidade

E fiz o ritual de esconder de você minha fraqueza. Escondi tudo. Corpo e glórias e ave-marias. Tomei banho. Uma hora no banho e o calor aquece o corpo só. Cuido de cada parte porque sei que irá observar com seu olhar de verde rio e verá se estive ou não em trânsito. Você me conhece como mães não chegam a conhecer seus filhos. Não houve tempo. Mães vivem outras vidas. Eu não. E agora são as pernas. São curtas — não salto telhados ou pontes. Viajo você. Estou pensando enquanto a água não faz seus milagres. Quantos erros ele verá em minha voz hoje? Vírgulas. Devo evitar as vírgulas porque aquela imagem de olho de verde rio sabe de todos os segredos. Destoa em destaque a voz do Gullar. Faz crônica do sofrimento da Sylvia. Elabora e naquele silêncio que odeio, mas permaneço? Sim. Estou aqui. Não grito. Sou de novo o caramujo atrás da jardineira. Mas eu tenho medo de você. E me escorrego entre minhas mãos porque estou brilhando em óleo. Untada como a criança no batismo. E penso nas letras maiúsculas. Ele sabe de nomes próprios, nomes de entidades e órgãos governamentais — tudo em letra maiúscula. Você errou, senhorita. Corrija. Corrijo pronta em vãos que esperam a demarcação. Maiakovski não me ama. E ele tem uma estupidez de repetir e falar em voz alta ou ressaltar nomes de autores. Hemingway. Russos. Andrade Carlos Drummond de. E não responde. What do you feel? Traduza. Uma ordem seguida de uma conspiração. Você é o rasgo no papel. E saio do banho. Perfumada e imbecil. Ele está sentado. Um homem sentado — apoiando as mãos nos joelhos — um cena western no verde rio. E lembra de nossa combinação. Você tem suas gavetas e eu arrebento todas. Eu costumo fazer cartazes durante o dia, mas o que tanto me faz calar minha euforia quando olho essa imagem corrompida de comunista sem causa atual? Seu problema está na estilística. Veja a construção. Essa vírgula. Que faz uma vírgula nesse período? E me faz tropeçar em meu acerto porque me encolho e ele coleciona a minha indigestão. Fica. Espera. Olha pra mim. Na cidade o trânsito é de dia e eu sou de noite e ele é torto. E de novo vem me falar em contos. Aprenda. Estes são contos. Não aqueles. E leia este livro. Acredita que me deu um livro e me pediu pra ler a página 147? Eu li. O que vê? Sou a cínica de tecido e óleo e sândalo. Respondo na pontinha de minha agulha. Vejo letrinhas redondinhas e um beijo. Mas ele continua querendo a luta e a intriga, mas sempre venço. Porque sempre vence aquele que foge ao combate. Sou covarde e assumo. E um chocolate entre Nietzsche e a Difranco. E agora repousa os olhos na tela. Ele tem uma janela particular. Através dela se esconde, se agiganta, escreve, espanta. Um filho da mãe. E me visto e vamos sair. A cidade nos encontra e somos iguais. Peças únicas do xeque -mate. Fica assim porque preciso de espaço. Olha aquela igreja. Foi ali que a encontrei. E esse oblíquo não se refere a mim. Era uma das tantas tontas que se deixaram largar. Sou tonta também? Ninguém responde porque não procuro respostas. Beijo de novo ao chegarmos à beira do rio de verde escuro. Um monte de gente passando e estou tranquila. Estou sim. Sim. Ele agora não fala. Me olha como se fosse um professor ou poeta olhando a obra. Ergue as sobrancelhas e me olha. Agora eu falo. Malu Mulher, Cole Porter, o sol sempre brilha na TV, uma estranha em Nova Iorque e quem vai saber da minha gota d'água se não falo? Sou bagunçada e vou permanecer assim. E de novo o olhar. Mas dessa vez vem com voz e tudo de apagar cigarro e pra que isso? Eu gostei dessa camisa em você, mas não entendo dessas coisas não. E eu largo sorriso porque é assim que venço. Meu sorriso aberto e sua boca quase sorri. E a cidade nos envolve de novo. Estamos em casa. Um falatório a mais porque você sabe que não tenho outra pessoa e elas foram nada. Tudo bem. Foram boas. Imorais. Mas você é minha. Uma estátua que só eu posso estragar, deixar tombar e romper empiricamente. Acredita em espíritos? Eu acho mesmo que ele sofre de problemas mentais, mas é a lei da mais-valia. Não decido muito, mas quando me espreme a ânsia, acabo com ele. Após ouvir toda a história do legado da nova literatura, sem blusa, seios, boca e seio e o resto em todo lugar, o espelho não mentiu. Eu vi você sorrir. Eu estava de costas tantas vezes, mas criminosa, despi o corpo frente ao espelho e agora pode falar de minhas vírgulas, soletrar poesia concreta, falar de outras doses. Eu observo através do furo da agulha e sei de você. Morrendo em mim porque merece sofrer e sofre o olho de verde rio porque você sabe. Somos peças do mesmo xeque-mate."


e eu sigo por aqui, por aí, por ali, dispersa no mundo e atenta, sempre, para as coisas do coração.

beijos

mariza lourenço

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