Alarme*
À noite todos os anjos voam pardos,
invisíveis aos meus olhos: descrentes?
Julgo-lhes — somente — julgo-lhes,
sorrindo do despreparo do meu espírito,
ao ouvir-lhes as vozes, coral de pífanos.
Mas quem, na ambigüidade dessa vida,
pode afirmar, segura e impunemente,
que amanhã, tão longe e incerto, ainda,
eu não acorde anjo, cantando hinos
ou somente asas, vicejando em dias frios?
mariza lourenço
* nota da autora: o poema Alarme, publicado originalmente na Plataforma para a Poesia, e revisitado na data de hoje, sofreu alterações, também nesta data.









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