de rosas
novamente em tua bocaaberta entre as pernas
: a flor
e vai a vida, sem espinhos. entre as pernas fechadas uma flor respira aos solavancos. sobrevive, não se sabe como, entre escombros de lutas e lembranças mornas. e quem pode com a vida? e quem sabe dela? ninguém, nem o espinho que surge de inopino, ou o cheiro manso de orvalho que desponta em meio à aridez de mil e tantas noites sem amor.
quem sabe, afinal, da vida? ou das surpresas que se revelam instantes úmidos? quem sabe, talvez, a boca. tua. ou a tua mão. artífices perfeitos para acordar quem dorme. para molhar de gozo a rosa inculta, bela. e minha.
e vem a vida, assim, com todos os seus espinhos, seus cheiros, e uma saudade faminta de ti. da mão que abre as pernas. da boca que rega a flor.
a minha (e tua) rosa.
e que seja sempre assim, a vida. acordada e em desacordo com o tempo que não passa enquanto não vens.
mariza lourenço
[imagem angel herrero de frutos]








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