das horas...
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Vinte e Duas e Trinta
Às vinte e duas e trinta ele entra por aquela porta, pragueja contra a lentidão do trânsito — pra chegar é tanta demora!—, afrouxa a gravata e me olha.
Às vinte e duas e trinta ele não se ocupa da minha cara de sono, o telefone toca, o tempo congela, ele me puxa, me morde, se queixa — coisinha, quem era? —, eu finjo desgosto, nas pontas dos pés ofereço-lhe o pescoço — nem sei.
Às vinte e duas e trinta eu rebolo, sussurro e grito. E gemo indecências que minha vidinha (in)decente condena.
Às vinte e duas e trinta ele faz de mim o que bem lhe convém, diz que sou sua cadela e goza. E, por Deus, agradeço, nunca me senti tão amada e gostosa.
Às vinte e três eu acordo e acaricio entre as pernas a saudade que meu útero chora.
mariza Lourenço
Às vinte e duas e trinta ele entra por aquela porta, pragueja contra a lentidão do trânsito — pra chegar é tanta demora!—, afrouxa a gravata e me olha.
Às vinte e duas e trinta ele não se ocupa da minha cara de sono, o telefone toca, o tempo congela, ele me puxa, me morde, se queixa — coisinha, quem era? —, eu finjo desgosto, nas pontas dos pés ofereço-lhe o pescoço — nem sei.
Às vinte e duas e trinta eu rebolo, sussurro e grito. E gemo indecências que minha vidinha (in)decente condena.
Às vinte e duas e trinta ele faz de mim o que bem lhe convém, diz que sou sua cadela e goza. E, por Deus, agradeço, nunca me senti tão amada e gostosa.
Às vinte e três eu acordo e acaricio entre as pernas a saudade que meu útero chora.
mariza Lourenço








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