0

21/03/2009

das horas...

imagem agri press


Vinte e Duas e Trinta


Às vinte e duas e trinta ele entra por aquela porta, pragueja contra a lentidão do trânsito — pra chegar é tanta demora!—, afrouxa a gravata e me olha.

Às vinte e duas e trinta ele não se ocupa da minha cara de sono, o telefone toca, o tempo congela, ele me puxa, me morde, se queixa — coisinha, quem era? —, eu finjo desgosto, nas pontas dos pés ofereço-lhe o pescoço — nem sei.

Às vinte e duas e trinta eu rebolo, sussurro e grito. E gemo indecências que minha vidinha (in)decente condena.

Às vinte e duas e trinta ele faz de mim o que bem lhe convém, diz que sou sua cadela e goza. E, por Deus, agradeço, nunca me senti tão amada e gostosa.

Às vinte e três eu acordo e acaricio entre as pernas a saudade que meu útero chora.

mariza Lourenço

0 comentários:

seja bem-vindo, bem-vinda.

será um prazer ler e responder seu comentário, no entanto, optei por não aceitar comentários anônimos, ofensivos ou que, de alguma maneira, possam constranger aqueles que gentilmente se dispõem a me visitar.

caso prefira comentar ao 'pé d'ouvido' clique aqui.

grata,

mariza lourenço

Novo Comentário