em 14 de março

De lendas
(a rosa de outono e o poeta)
era uma vez a poesia fecundando a terra. e era outra vez a terra parindo a flor. rosa de outono e de sangue, amor-perfeito e exato para caber em um poema.
não escrito.
era uma vez o poeta. e era outra vez a busca. entre as letras descoloridas e todas as intenções.
ocultas.
era uma vez o caminho de sempre, sustentando os passos dele. claudicantes e incertos, tropeçando na espera.
dela.
e na boca do homem a rosa fez-se verbo, sangue.
e cio.
e em suas mãos os espinhos sangraram as rimas.
primeiras.
era uma vez o início de tudo.
era uma vez um poeta e o amor.
e ainda é a poesia inscrita
:em todas as pétalas da flor
a musa e o amor
a musa fala:
ele escrevia compulsivamente. certamente, o excesso desculpava a timidez. (e a ausência de voz). quando escrevia não me dirigia a palavra. e ele escrevia muito. o tempo todo.
tudo é seu, afirmava.
para mim... os pequenos e delicados contos. os poemas de rimas perfeitas. e as imagens de um amor que, até então, só se consumara no papel.
meu corpo era o mais bonito. minha pele a mais branca. meus olhos a verdade encarnada. em seus versos eu nascia todos os dias para protagonizar uma existência idílica.
eu era sua musa. e assim permaneci até o dia em que tentei trazê-lo para o meu mundo de imperfeições. até o dia em que tentei fazê-lo conhecer os deslizes da minha alma e os caminhos, nem sempre retos, das minhas vontades.
ele continua escrevendo compulsivamente e sua amada ainda renasce diariamente em uma história de amor-perfeito.
mariza lourenço
imagem nature expressions








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