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14/03/2009

em 14 de março






De lendas
(a rosa de outono e o poeta)


era uma vez a poesia fecundando a terra. e era outra vez a terra parindo a flor. rosa de outono e de sangue, amor-perfeito e exato para caber em um poema.
não escrito.

era uma vez o poeta. e era outra vez a busca. entre as letras descoloridas e todas as intenções.
ocultas.

era uma vez o caminho de sempre, sustentando os passos dele. claudicantes e incertos, tropeçando na espera.
dela.

e na boca do homem a rosa fez-se verbo, sangue.
e cio.

e em suas mãos os espinhos sangraram as rimas.
primeiras.

era uma vez o início de tudo.
era uma vez um poeta e o amor.
e ainda é a poesia inscrita

:em todas as pétalas da flor




a musa e o amor


a musa fala:

ele escrevia compulsivamente. certamente, o excesso desculpava a timidez. (e a ausência de voz). quando escrevia não me dirigia a palavra. e ele escrevia muito. o tempo todo.

tudo é seu, afirmava.

para mim... os pequenos e delicados contos. os poemas de rimas perfeitas. e as imagens de um amor que, até então, só se consumara no papel.

meu corpo era o mais bonito. minha pele a mais branca. meus olhos a verdade encarnada. em seus versos eu nascia todos os dias para protagonizar uma existência idílica.

eu era sua musa. e assim permaneci até o dia em que tentei trazê-lo para o meu mundo de imperfeições. até o dia em que tentei fazê-lo conhecer os deslizes da minha alma e os caminhos, nem sempre retos, das minhas vontades.

ele continua escrevendo compulsivamente e sua amada ainda renasce diariamente em uma história de amor-perfeito.

(e como sinto falta do amor que não vivi)



mariza lourenço


imagem nature expressions

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