um bruxedo para as moças... *;)
será que dá certo? *;)
anos atrás, conversando com uma querida amiga, bruxa e taróloga, surgiu a inspiração para um bruxedo ou sortilégio poético. eu nunca havia exercitado esse tipo de escrita, que se assemelha a um mantra. tentei outras vezes, mas esse sortilégio é meu preferido.
meninas, por favor, caso dê certo me avisem, porque de escritora para bruxa falta muito pouco... *;)
(para reclamações, contatos e elogios e/ou consultas, dirijam-se, por favor, à tenda de Madame Marizoca... hehehe)
E ele, que dorme inocente, não sabe explicar o que sente quando lhe ataca um desejo, que vai do peito ao baixo-ventre.
A moça ri -- escandalosa -- e invocando os benefícios dos deuses, despetala uma rosa, enquanto come uma fruta, cheia de tesão e de gula:
E o moço -- agoniado -- salta da cama, aparvalhado, abre portas e janelas, tira as roupas, sai ao relento, tentando dar cabo de todo aquele tormento.
Pia lá fora a coruja, crocita o corvo, gemem as estrelas com dores de parto, a noite estrangula os sonhos decentes, da fruta, a bruxa engole o último pedaço:
Se comigo ele não fica, com ninguém há de ficar.
Dez pancadas na porta, um grito desesperado, a moça desce as escadas para receber seu amado. Ele entra -- parece um demônio -- e sem dizer nada lança-a ao chão, mordendo-lhe a boca, cheio de fúria e paixão.
E desta vez quem gargalha é a lua, cúmplice que é, de toda mulher...
E de bruxa!...
mariza lourenço
Sortilégio
Quando no céu a lua muda, despontando barriguda, a moça se veste de negro e recita seus encantos, para o amor segurar:
Quando no céu a lua muda, despontando barriguda, a moça se veste de negro e recita seus encantos, para o amor segurar:
Se comigo ele não fica, com ninguém há de ficar.
E ele, que dorme inocente, não sabe explicar o que sente quando lhe ataca um desejo, que vai do peito ao baixo-ventre.
Se comigo ele não fica, com ninguém há de ficar.
A moça ri -- escandalosa -- e invocando os benefícios dos deuses, despetala uma rosa, enquanto come uma fruta, cheia de tesão e de gula:
Se comigo ele não fica, com ninguém há de ficar.
E o moço -- agoniado -- salta da cama, aparvalhado, abre portas e janelas, tira as roupas, sai ao relento, tentando dar cabo de todo aquele tormento.
Se comigo ele não fica, com ninguém há de ficar.
Pia lá fora a coruja, crocita o corvo, gemem as estrelas com dores de parto, a noite estrangula os sonhos decentes, da fruta, a bruxa engole o último pedaço:
Se comigo ele não fica, com ninguém há de ficar.
Dez pancadas na porta, um grito desesperado, a moça desce as escadas para receber seu amado. Ele entra -- parece um demônio -- e sem dizer nada lança-a ao chão, mordendo-lhe a boca, cheio de fúria e paixão.
Se comigo ele não fica, com ninguém há de ficar.
E desta vez quem gargalha é a lua, cúmplice que é, de toda mulher...
E de bruxa!...
mariza lourenço








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