Transfiguração
magnificatcomecei a sangrar aos dezoito dias de março de mil novecentos e oitenta e nove. dezessete e trinta e cinco. em dias que antecederam a ressurreição. quando Jesus, Maria e José vestiam-se de roxo e meu vestido era branco. alguma coisa emprestada. alguma coisa azul.
só sei que o sangue era lento e farto.
só sei que era dor e, depois, nada. e que retornou, sucessivas e incontáveis vezes. até eu não me importar.
quarenta dias e quarenta noites de jejum. e no deserto o pecado roeu meus ossos. e em minha cama a carne se desfez.
e um verbo entranhou-se às paredes de meu útero. e depois dele, o outro.
nunca mais pari.
só sei que durou dez anos.
e que meus olhos ainda vertem o sangue transformado em água.
mariza lourenço
[imagem b2m productions]








12 comentários:
"não haverá mulher mais amada nesse mundo
1:01 AMnão haverá horizonte azul de outono que se compare ao seu sorriso
não haverá amor como o meu
como o teu
não haverá rosa que seja mais intensa em cor, aroma e forma
como tu
como tua boca a me engolir desesperadamente
não haverá pecado que me assuste
correnteza que me leve
não haverá céu que te cubra
que seja digno de sua beleza
e se as natureza me desafiar
acordarei todos os vulcões
e todas as tempestades
erguerei o mar
contra quem te fizer mal
e te levarei comigo
para o imenso cosmo da minha unica e infinita vontade"
Escrevi esses versos pra vc ontem, em tempo real, rs...vc é algo que não é desse mundo.
te amo...para além desse mundo.
Antonioni
Na verdade, o que começou um dia, jamais termina por deixar seu frutos suas lembranças. Parir é só um começo, pois há de se continuar parindo a vida ao se alimentar educar e dar asas que jamais serão totalmente suas pois quem tem mãe jamais será sozinho no mundo.
7:57 AMLindo e prenhe de significado. Beijos e linda páscoa.
Benno
Carne e sangue - morte e dor
12:40 PM... e fez-se o Verbo
Renascida a Poeta em tempos de Páscoa e que assim seja por todo o sempre!
Sem palavras que possam traduzir minha emoção - lindo!
beijos querida
Oi Mariza!
1:36 PME aqui me ponho a decifrar as entrelinhas, o que não foi posto à transparência do véu. E engulo seco por saber não ser tão distante assim.
Lindo sempre...
Já estou com saudades da tua linda presença!
Beijinhos,
Liene
Quanta gravidez em suas palavras férteis. Um sangramento poético que banha e lava o mundo em vastos campos úteros da mãe natureza vida ávida por mais vida.
1:58 PMBendita sejas!
Mariza,
4:18 PMPara mim, o mais admirável desse texto, entre muitas qualidades dignas de admiração, é sua capacidade de tecer uma narrativa própria e amarrá-la ao simbolismo cristão, tomando em especial alguns elementos bíblicos evidenciados nestes dias de Semana Santa. Feliz Ressureição.
sempre há de ser carne e sangue, Mariza.
9:36 PMMariza,
11:22 AMÉ sempre precioso encontrar espaços com tamanha qualidade. Sua prosa é como uma proeza que se faz sangrar do lápis quando este entreabre uma entranha. Letras então como seiva no pálido papel.
Parabéns.
Beijos, com esmero.
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Katyuscia
de tão poente me fiz teu sol
12:44 AMde sol atrás da montanha
me fiz esconder
esperando dia
dia...parecer
Gêmela, eu relembro a Com Texto aqui e vc vai lá no meu itinerário e relembra nossas prosas de quarta também.
4:06 PMSaudades daquele tempo, Flor.;))
Beijo e beijo.
Tão criativo quanto sua palavras, é como se definiu em seu perfil.
8:57 PMUm prazer conhecê-la.
(Espero tenha tido uma boa Páscoa).
:)
Lindo!!! Uma mulher que prosa poesia e sangra milagres vermelhos.
8:00 AMseja bem-vindo, bem-vinda.
será um prazer ler e responder seu comentário, no entanto, optei por não aceitar comentários anônimos, ofensivos ou que, de alguma maneira, possam constranger aqueles que gentilmente se dispõem a me visitar.
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grata,
mariza lourenço