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31/07/2010

O Deserto. A Flor

somos todos iguais? não, lamentavelmente.
somos todos iguais? não, graças a Deus, não somos. fôssemos, seriamos obrigados a práticas bestiais, como a mutilação dos órgãos sexuais femininos, por exemplo, que, diariamente, dilacera corpo, vida e futuro de aproximadamente 6.000 meninas, a maioria africana.

práticas bárbaras como essa podem ser vistas no filme A Flor do Deserto, que retrata a vida da modelo e ativista somali Waris  Dirie. não se trata de um filme tecnicamente brilhante, mas seu conteúdo impressiona e comove. impressiona e denuncia. impressiona e nos faz menores se confrontarmos a nossa própria capacidade de superação com a da mulher que, em sua trajetória de dor, não se deixou abater pela desgraça da mutilação. ao contrário, fez questão de se tornar famosa, não por vaidade, mas pelo que a fama lhe proporcionaria e a milhares de outras mulheres em forma de denúncia e inconformismo. ao botar a boca no trombone, essa somali admirável, expôs aos olhos do mundo a miséria dos rituais bárbaros milenares, a miséria das tradições. ao contar sua história, essa mulher linda e forte, desfilou aos olhos do mundo as dores que ela mesma sofreu ao ser vitimizada pela mutilação e, sobretudo, a dor de não se encontrar justificativa, em canto algum, sequer nos livros sagrados, para violência tão grande e medonha.

confrontando a história de Waris com a de outras mulheres vítimas de violência, qualquer uma, continua me assombrando a ausência de motivos, a barbaridade com que ainda se trata o ser humano, o descaso pela vida alheia, a indiferença à dor, à personalidade, à dignidade, ao direito de ser feliz e igual.

somos todos iguais? não, graças a Deus, não somos.

lamentavelmente, não. fôssemos, não permitiríamos que nossos iguais trouxessem consigo tantas máculas brutais.

mariza lourenço

8 comentários:

Arte Vital disse...

Essa mulher atravessou sozinha um dos desertos somalis, aos 12 anos de idade, fugindo da aldeia em que vivia. Com ferimentos terríveis nos pés (possui cicratizes até hoje), encontrou sua avó em Mogadíscio, capital do “inferno”. Cuidada e alimentada, foi enviada por ela à Londres e lá começa a trabalhar como faxineira em uma lanchonete, depois de fugir do serviço de imigração inglesa. Daí, o UP GRADE em sua vida surge como um bálsamo.

Nascer numa terra como a Somália é resgatar tudo de ruim e de uma vez só, numa vida. A Somália não tem Governo, etnia definida, não tem leis, constituição e os seres humanos que nela habita, são diferenciados, ou pela crueldade sem sentido, ou pelo extremo oposto da resignação diante tanto sofrimento. Porém Waris Dirie sobreviveu e tornou-se uma celebridade mundial. Talvez para, simplesmente, abrir olhos ainda humanos para o que acontece em certas culturas. Que de CULTURA, não têm absolutamente nada.

Excelente texto, Mariza. Amo-te!

1:27 PM
Celso disse...

Há uns 7 anos essa moça nos brindou com uma bela palestra no Hotel Sheraton Rio. Em suas palavras ela dizia, com o semblante mais feliz que uma mulher poderia revelar:" Venci a dor, o cansaço. Passei por todas as humilhações, mas venci. E levei ao conhecimento do mundo as atrocidades cometidas, não só na minha aldeia, mas em toda a Somália." Um exemplo de ser humano!
Maravilhoso o seu post, amiga.
Continue escrevendo.

magda camila

PS: estou postando esse comentário através da conta do celsinho, pois tenho problemas demais para postar em blogs do google. beijos querida...

2:18 PM
Benno disse...

Há muitos tipos de violência, contra as crianças, contra os idosos, contra as mulheres, pessoas de outras culturas, contra outras etnias, dos países ricos contras os países pobres, dos ricos contras os pobres e assim por diante. Elas têm em comum a repulsa que causam, a falta de respeito pelos diretos dos outras, a intolerância contra as diferenças e o fato de serem exercidas pelos que detém o poder. Devemos respeitar as diferenças e o direito que todo têm de serem diferentes desde que essa diferença nunca contrarie a vontade das outras pessoas.
Um beijo grande e cheio de saudades de ti. Benno

8:32 AM
Felicidade Clandestina disse...

Uma amiga me disse que chorou tanto ao assistir este filme.
Vou arrumar um tempinho para conferir :)


E aproveitando que achei seu blog, postei um texto seu no meu espaço.
Caso tenha algum problema, avise-me.

Busquei por seu blog antes, para pedir autorização, mas só agora encontrei.

Abraços!

12:12 AM
Betha Mendes disse...

Oi, Mariza,

ainda não assisti ao filme, mas estou ansiosa e vou procurar fazer isto logo. conheço a história de breves comentários, ouvimos falar desse costume na Somália, mas conhecer a batalha de uma mulher pela sua liberdade, e também a sua superação diante de tal sofrimento é também uma forma de conhecer as desigualdades(ainda bam não somos iguais) e lutar por um mundo melhor!

um abç de Betha.

2:07 PM
Betha Mendes disse...

Olá, Mariza,

estou ansiosa para ver este filme, já li tantos comentários e ainda não pude ver a luta e superação desta mulher resistindo a atrocidades de sua cultura e tentando ser feliz do modo como acredita.

abç

betha

9:25 PM
Anônimo disse...

MUTILAR crianças é um áto vandalo criminoso as autoridades deveroão mutilar qum usa essa pratica e tirar do mundo esses monstros e agressores LAMENTO QUE A LEI NÃO TOMA PROVIDENCIA.pesso a deus que essas pessoas sejão infelizes um dia srão.

5:29 PM
Anônimo disse...

DESCULPE MAS ISTO CHOCA .

5:31 PM

seja bem-vindo, bem-vinda.

será um prazer ler e responder seu comentário, no entanto, optei por não aceitar comentários anônimos, ofensivos ou que, de alguma maneira, possam constranger aqueles que gentilmente se dispõem a me visitar.

caso prefira comentar ao 'pé d'ouvido' clique aqui.

grata,

mariza lourenço

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