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28/08/2010

de delicadezas

dia desses li uma crônica de Ivan Ângelo sobre Michael Jackson e me comoveu a abordagem delicada do autor acerca daquele que foi um astro enquanto vivo e que, apesar de sua morte, ainda continua brilhando. 

segundo Ivan, Michael foi um menino aprisionado dentro de um homem, um menino que, durante sua existência, optou pela delicadeza e educação. e é verdade, para aqueles que acompanharam a trajetória de Jackson, não existe notícia de que tenha sido outra coisa senão um homem cortês, apesar dos mexericos, apesar das falsas denúncias de que tenha se aproveitado de garotos. é inegável que sua vida privada tenha se pautado pelo mistério, pelas dúvidas sobre sua orientação sexual, mas também é bastante conhecida sua conturbada história familiar, pontuada por agressões sofridas pelo pai. ainda assim, o homem escolheu ser delicado, quando poderia ter reproduzido a mesma violência que sofreu ao longo de sua vida.

dizem que de tudo podemos extrair preciosas lições e venho colecionando muitas, especialmente as que me fazem perseguir uma forma mais carinhosa e delicada de me relacionar com o mundo que me cerca. porque o mesmo mundo que costuma nos apresentar todo e qualquer tipo de problema e dor, é o mesmo mundo que nos oferece escolhas, deixando ao nosso arbítrio e bom senso a maneira de resolvermos as nossas pendengas sem precisarmos apelar para a agressividade e indelicadeza. e se há uma coisa que posso admitir com absoluta sinceridade é que, em todas as ocasiões em que explodi, revidando uma grosseria, o gosto que me restou na boca foi bem amargo.

mesmo correndo o risco de ser apontada como boba, piegas e, na pior das hipóteses, covarde, opto por não debater mais com todo aquele que se vale da descortesia para impor suas razões, sejam louváveis ou não. e para quem acredita que delicadeza é questão de berço, ouso afirmar que não, é questão de escolha. 

com certeza a melhor.

mariza lourenço

(imagem de Mauricio Antonio)

10 comentários:

Betha Mendes disse...

Oi, Mariza,

vidas polêmicas como a de M. J. sempre nos deixam várias interpretaçãoes ou conclusões, sei lá. mas acredito, como na crônica, que ele foi mesmo um menino aprisionado dentro de um homem. um homem que, infelizmente, apesar de todo seu talento, não sobreviveu neste mundo cruel, onde as pessoas pressionam tanto os outros, ao invés de exercitarem a compreensão!

abçs

12:14 AM
Dona Sra. Urtigão disse...

Belo manifesto. Ajuda a fortalecer a intenção ler palavras assim. Como uma oração, ou mantra.
Seguimos.
Um abraço

9:50 AM
Tânia Regina disse...

MJ foi um menino que cedo assumiu a responsabilidade de um homem e quando se tornou homem continuou com o coração de um menino.

A delicadeza é uma virtude que às vezes é confundida com fraqueza e covardia. Mas um grande filósofo já falou que " bem aventurados os mansos de espírito, pois deles é o reino do céu " . Bom lembrar que este "céu" não é um lugar e sim um estado de consciência .

Gosto muito da sua prosa , Mariza, e já linkei o seu blog.

Abç

3:40 PM
Arte Vital disse...

M.J foi o ser mais musical que habitou esse planeta. O grau de universalidade de sua obra, atravessa as fronteiras do pop, da música convencional. Acho que M.J, como artista, musicista, maestro, ritmic man e cidadão do mundo, deveria ser o topo dessa pirâmide histórica da música, desde o alvorecer da cultura. Ah sim...ele era um gentlman! A delicadeza ainda é o canal para o tudo de bom nessa vida.

Beijo grande para uma das pessoas que melhor escrevem neste país.

9:16 PM
Magda Camila disse...

Adorei o "Delicadeza é questão de escolha"! Tento me valer da educação em todas circunstancias, amiga. É dificil, mas não impossivel. É uma questão de escolha. Lindo texto!

Grande beijo e me perdoa o sumiço.

Magda

10:21 PM
Benno disse...

A vida dos artistas possuem esta contradição: eles recebem as luzes da mídia para o seu bem e para o seu mal. É o ônus e o bônus do estrelato. Se por um lado são famosos e recebem todas as benesses provindas da fama, deixam de ter direito a uma vida privada, são o alvo preferido das fofocas e dos espertalhões. De minha parte, separo a arte do artista de sua vida privada, esta segunda não me interessa e detesto aquelas colunas e revistas de fofocas. Do artista só me interessa a obra. Muito pertinente essas suas considerações. Beijos. Benno

9:26 AM
layla disse...

Você disse tudo, sempre defendi essa tese que o MJ sofria da síndrome do Peter Pan, apenas isso e mais nada.

adorei a delicadesa do seu texto e o tema escolhido.

um beijo, com carinho

10:43 AM
Celso disse...

Belo post, Mariza. Que bom que voltou a escrever com mais freqüencia.

Celso

11:42 AM
Julio disse...

Oi

Sou do Rio de Janeiro, fã e colega de trabalho do seu amigo Antonio Siqueira e agora seu fã também. Estava dando uma navegada pelo blog dele e descobri o seu que é maravilhoso. Seus textos, poemas e artigos são excelentes. Uma escritora talentosa demais. O que escreveu sobre o Michel Jackson parece ter saido do coração de uma mãe de fato. Voltarei aqui mais vezes, pois ler coisas inteligentes é sem igual nessa vida. Parabéns!

Julio Cesar

1:28 AM
layla disse...

vixe que vergonha, escevi no meu comentário delicadeza com "s"...releve por favor.

amiga, eu não coloquei a "widget de seguidores" no meu blog por uma questão de trauma mesmo...já basta ter GPS no carro, no celular...rsss e por motivos estéticos ... tb não quero ter compromissos com o blog e por enquanto nem penso em atualizá-lo, se mudar de ideia e perder o tal trauma , coloco lá a "widget seguidores".

beijos

2:00 PM

seja bem-vindo, bem-vinda.

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grata,

mariza lourenço

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