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22/08/2010

a Mulher. o Poder.

este espaço, para além da divulgação das minhas modestas divagações literárias, sempre foi e será dedicado à mulher. às suas lutas e conquistas. ao seu empodeiramento. não é a primeira vez que, em época de eleições, escrevo sobre a participação da mulher no cenário político e o quanto me desgostava o fato de que tão poucas mulheres se elegessem para a ocupação de cargos públicos.

no entanto, neste ano duas mulheres concorrem ao maior cargo de representatividade política, uma delas, inclusive, com chances significativas de ganhar o pleito das eleições de 2010. segundo dados do TSE, nestas eleições temos 737 candidatas a deputadas e 18 mulheres candidatas a senadoras. ainda é muito pouco, se estabelecermos comparações com outros países e, sobretudo, se levarmos em consideração que, no Brasil, as mulheres representam o maior contingente eleitoral.

de qualquer maneira, descontados os motivos que impedem a ampla participação feminina no universo político (e esse estado de coisas certamente mudará com o correto cumprimento da Lei  12.034/09), a mulher, cada vez mais, tem mostrado a que veio. se antes a igualdade real parecia um sonho difícil demais a ser perseguido, fato é que essa busca somente fortaleceu a mulher, modificando, ainda que não pareça, os rumos de uma sociedade tradicionalmente patriarcal, culturalmente machista.

e as constantes mudanças, me perdoem os homens, devemos a nós, mulheres, que se organizaram em movimentos e sairam da esfera privada para a vida pública, carregando dentro de si uma inesgotável capacidade, além de força, para empreender qualquer tipo de ação a que se proponha, e em qualquer espaço.

mas como nem tudo são flores, felicidade e vitória, e existe ainda um longo caminho a ser percorrido, precisamos, e de forma emergencial, acabar com todo e qualquer estereótipo que, em primeiro lugar, nos aponte principalmente como administradoras eficientes do lar ou como mães capazes de um aleitamento em massa. somos mães? somos. cuidamos de nossas casas? claro. mas somos, e vamos, além de nossas casas, de nossos filhos, de nossos peitos cheios de leite.

colocamos nossos filhos no mundo, alimentamos nossos rebentos, damos a eles nosso amor, cuidamos de nossos lares, cumprimos com nosso papel biológico, mas como seres humanos completos é a inteligência que determina nosso papel.

o mundo, afinal, não é mais desse ou daquela. é de todos.

mariza lourenço

6 comentários:

Lou Vilela disse...

Excelente abordagem, minha cara!

Beijos

1:24 PM
Dona Sra. Urtigão disse...

Gostei muito da forma com que vc desenvolve a questão. Mas paralelo a isso o que muitas vezes me incomoda é perceber que as mulheres ao buscar o empoderamento, o fazem dentro de uma perspectiva habitualmente masculina, ou seja, agressiva, violenta. Não trazem o poder a um novo modelo ou a um universo mais abrangente, mas se reduzem aos modos já falidos do poder.

2:57 PM
Antonio Siqueira disse...

Congrats to you women.

5:18 PM
mariza disse...

Lou e Antonioni,
grata pela leitura amorosa.

Madame Urtigão, há quanto tempo! concordo com você. se, num primeiro momento, a postura radical foi necessária, hoje, creio que não existe mais a necessidade imperiosa de assumirmos comportamentos exclusivos do homem. a agressividade, infelizmente, parece ter se entranhado como forma de se assegurar um espaço que, afinal, é nosso por direito.

beijos.

7:33 PM
Benno disse...

eu como homem devo reconhecer, as mulheres são muito mais organizadas e organizadoras que os homens... na política elas estão no seu nicho ideal e no lugar que merecem e sempre mereceram. beijos
Benno

11:09 PM
Sylvio de Alencar. disse...

Me parece que o blogger fez uma modificaçãozinha e que, através dela, seu link apareceu em meu blog. Por natural curiosidade não o deletei, pelo contrario: aqui estou; agradávelmente surpreso.
Somos vizinhos de cidades, quanto às idéias, também; embora não tenha me aprofundado no papel da mulher na política, tenho a abertura pessoal suficiente para ver que vocês têm (sempre tiveram) um papel crucial no desenrolar da realidade 'cósmica', planetária, e política. Menosprezar as forças que nos regem - positivas/negativas, Ying/Yang, e por aí vai - seria ignorar uma realidade (de novo ela), da qual fazemos parte: homens e mulheres.

Quero dizer com (tudo) isso que penso em vocês mulheres não só com peitos cheios de leite, mas sem ele também. Dos 'lares' nada há o que acrescentar, o papel de vocês é inquestionável; fora deles é que vcs estão mostrando valor: caio aos pés de uma das candidatas; sua objetividade, sua visão global, sua gentileza no falar, seu passado espinhoso - e aberto - junto com uma preocupação que quase que beira o 'maternal', me atrae irremediávelmente.

Como vê, concordo com vc.
Com tudo isso que está acontecendo, parece que estamos, nós homens, nos inteirando e sendo colocados em uma nova situação, tanto filosófica, como sexual...
Não olhá-las só como fêmeas da espécie (e tudo que vem junto com essa ótica), nos faz procurar outro tipo de relação: aquela em que vcs estiveram por tanto tempo num passado recente; recente, pois, um pouco mais 'antigamente', no tempo dos celtas por exemplo, vcs eram muito respeitadas.

Falei 'de mais'.
'De menos' não valeria a pena.
Se exagerei, ou não fui claro, agora é tarde para me arrepender.

Abrçs.

2:11 AM

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