mea culpa
duas postagens atrás escrevi sobre delicadeza e educação, porque não há nada que me irrite mais do que lidar com gente grosseira e estúpida. não, não estamos livres de momentos de feira-livre, de barracos, de descontrole, mas o pior é que quanto mais a gente reza, mais assombração aparece. e foi exatamente isso que me aconteceu semana passada, acabei sendo alvo de um ataque imotivado de uma jovem caixa de unidade lotérica, onde, após um dia absolutamente tranquilo, resolvi pagar uma conta. como consumidora, óbvio que poderia ter chamado o gerente, poderia ter formalizado queixa, poderia ter quebrado o pau. não fiz. limitei-me a passar-lhe (na mocinha, claro) um 'sabão' e fui tomar sorvete de limão, meu preferido.
pelo bem da minha saúde, há tempos tenho condicionado meu humor àquilo que não me cause desgastes desnecessários. e bater boca, sinceramente, é cansativo demais. de maneira que fui tomar sorvete de limão. mas esse episódio reavivou a velha questão da falta de educação que parece ter se entronizado entre os jovens. e à falta de educação adicionemos aí uma dose substancial de arrogância e falta de respeito. tenho reparado, e não é de hoje, que as queixas em relação ao comportamento de nossa linda juventude são sempre as mesmas: falta de educação, arrogância, ausência de norte espiritual, individualismo exacerbado.
e a culpa é de quem? é nossa. creio que para se livrar de ranços passados, a sociedade se tornou excessivamente permissiva, valorizando, além da conta, a inteligência de nossas crianças em detrimento dos ensinamentos basilares de amor e respeito aos mais velhos e ao próximo. hoje, o que vemos são meninos e meninas bem servidos intelectualmente, mas absolutamente despreparados emocionalmente. e para preencher as 'lacunas' usam as ferramentas que lhes têm sido ofertadas por um mundo que privilegia a matéria e trata as coisas do coração e da alma com descaso.
pois é, a gente colhe o que planta. lado outro, na condição de esperançosa convicta, acredito que nunca é tarde pra se torcer o pepino, ainda que o pepino faça cara feia, xingue e berre. afinal, o futuro do planeta depende dele. e a construção de uma sociedade mais justa, também.
mariza lourenço
[imagem de dan bailey]
[imagem de dan bailey]









3 comentários:
Se o amor for grosseiro com você, então seja áspero com amor.
9:55 PM(William Shakespeare) Vale para tudo na sua, nas nossas vidas. Te amo! Reagia sempre.
antonioni
Houve tempo em que a gentileza foi sinal de nobreza e distinção. Hoje parece estar valorizada a cultura da competição desenfreada, em que só os fortes, arrogantes, prepotentes são vencedores. Acho que a educação, polidez e gentileza são os mínimos éticos. Isto quer dizer que não basta ter essas qualidades, mas pelo menos ter essas qualidades. A pessoa que nem isso tem, está reprovada e qualificada como tola, incompetente e fracassada, pois tenta se impor da forma mais perversa, violenta, agressiva e nociva posssível e procura provar que tem algum valor mostrando que não tem valor nenhum. A melhor coisa a se fazer dessas pessoas é se afastar e, quando indispensável a aproximação tolerar da maneira mais tranquila possivel evitando a reação oposta que equivaleria a descer ao mesmo nível dela. Outra coisa boa a se fazer é o que fez: tomar o exemplo e expor para que quem leia perceba o quanto é ridículo e repulsivo ser mal educado e deixe de seguir pelo mesmo caminho. Por isso, acho que agiu com sabedoria em todos aspectos.
8:18 AMBeijos
Eu já havia lido esse post. Li de novo e, sinceramente, não dá pra encontrar sentido em tanta ignorância, em tanta agressividade. Lido com gente o dia inteiro e, se não reagisse vez em quando, acho que já teriam passado sem dó por cima de mim. É preciso reagir sim, Mariza. Beijo
1:14 PMmagda
seja bem-vindo, bem-vinda.
será um prazer ler e responder seu comentário, no entanto, optei por não aceitar comentários anônimos, ofensivos ou que, de alguma maneira, possam constranger aqueles que gentilmente se dispõem a me visitar.
caso prefira comentar ao 'pé d'ouvido' clique aqui.
grata,
mariza lourenço