pequenas confissões...
às vezes resolvo escrever sobre algo e, de repente, a disposição muda, e é quando me pego escrevendo sobre outra coisa. como hoje, por exemplo, em que um pensamento recorrente pediu pra sair. então, estou dando passagem. culpem a ela e relevem, se possível, a divergência de nossas letras.
há dois anos eu não sabia de sua existência, dessa mulher estranha surgida do nada, velha o suficiente pra me fazer desconfiar de sua existência. e nova o bastante para assombrar o resto dos meus dias.
(e que não sejam tantos, por favor)
mas ela surgiu, apareceu, caiu, com todas as linhas e sulcos de uma mulher milenar, com as suas gorduras, maneirismos e liquidas saudades, bem iguais à de qualquer uma que tenha se atrevido a viver de lembranças. tão diferente de mim e minhas angústias. porque ela sempre será um vento à espera da tempestade.
(roda roda menina, roda essa saia amarela)
e eu... ora, este deserto de areias brancas tão lindas.
e ela... essa miragem num poço sem fundo, um narciso rebelde, a mão que degola.
(a mão, quem dera, fosse minha)
eu, eu, eu, e a tentativa inútil de me desvencilhar dessa aparição que me come pelas beiras, margeia meus limites, me prostra e põe de joelhos em uma oração ordinária e pagã.
há dois anos ela surgiu, apareceu, caiu, essa mulher estranha, vinda não se sabe de onde, poço ou espelho, do inferno, talvez.
ou ainda do céu, onde moram as crenças...
aparecida, quem sabe, entre os meios das pernas, moradas sagradas de doloridas saudades.
mariza lourenço
[imagem de nancy honey]









5 comentários:
a pedido de Myra Landau:
8:48 PM"colocar cometario!!!
e acho que voce escreve que é uma maravilha!!!!!!
beijos cheios de admiraçao"
Myra querida,
8:53 PMativei os comentários anônimos para quem esteja com dificuldade em comentar. a moderação, no entanto, continua ativada, então, quando for comentar novamente, faça-o como anônima e eu aprovarei seu comentário, tá?
fico muito agradecida a você pelo carinho e generosidade com que sempre me trata e aos meus textos.
beijo enorme.
mariza
"há dois anos eu não sabia de sua existência, dessa mulher estranha surgida do nada, velha o suficiente pra me fazer desconfiar de sua existência. e nova o bastante para assombrar o resto dos meus dias."....é...foi assim mesmo. Foram-se mais de dois anos e menos do que o resto dos meus dias (ainda bem!!!), mas foi e é assim até hoje...
8:54 PMbeijos,
zé
essa sombra que aparece e some em nossas vidas, um moço do qual tenho saudade, ora um vetusto senhor que me condena, ora isso, ora aquilo, o reflexo do meu futuro, o reflexo do meu passado sou eu mesmo que criei e por isso jamais deveria com ele me assombrar (mas me assombro assim mesmo, ora pois).
4:46 PMExcelente reflexão poética!
Beijos
Um vento à espera da tempestade é tornado na certa.
3:08 AMAtraver-se à encarar as lembranças...É perigoso, porém necessário.
seja bem-vindo, bem-vinda.
será um prazer ler e responder seu comentário, no entanto, optei por não aceitar comentários anônimos, ofensivos ou que, de alguma maneira, possam constranger aqueles que gentilmente se dispõem a me visitar.
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grata,
mariza lourenço