diário da solidão
I
chove e meu choro se confunde com a água que molha a frágil construção do meu telhado de vidro. e cem olhos não conseguiram decifrar os mistérios enevoados da minha dor. e dos medos que habitam as lembranças da minha vida.
II
lá fora há um cais e um barco. lá fora o navegante se perdeu e nunca mais me achou. e eu continuo desfiando o rosário com a mão direita. porque a esquerda sempre esteve ocupada em desenhar o suplício de um amor desafortunado.
(e triste e indócil, quase impossível. à deriva)
III
lá fora o navegante se perdeu e encontrou o que não era tempestade e desespero. ou mar. e foi feliz (porque assim julgam olhos de quem nunca avistou senão névoa a encobrir os restos de um barco espatifado contra as rochas).
IV
lá fora o navegante e outras pernas. e uma vida distante de mim.
V
chove e ouço alguma música e danço com algum fantasma. e não faço questão de imaginar o que existe por trás do nevoeiro que encobre o cais. e o barco. e, talvez, o navegante. aquele que nunca há de chegar. aquele que nunca saberá a medida do meu colo, a medida exata de seu amor.
mariza lourenço
[imagem: chechele]
[imagem: chechele]









5 comentários:
Soberbo, Mariza! :-)
5:43 PMas palavras te amam amiga...sempre te amaram ;) muito lindo e emocionante!
9:07 PMbeijos com carinho
magnífico, gêmela! que bom ler você, again.
10:28 PMsaudades, viu? beijooooooooooooo!
lindoooooooooooooo...
11:53 AMfiqui lendo e lembrando o Chico antigo de Morena dos Olhos Dágua, tira os seus olhos do mar. A solidão, assim como a saudade, dá muito pano para manga. Estou adorand sua volta. Beijo
Olha...eu não pude evitar de ficar comovida. Raramente leio algo que me encante tanto.
8:54 PMParabéns, Mariza.
seja bem-vindo, bem-vinda.
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mariza lourenço