semana bonita... sob o sol de gêmeos, claro... *;)


prosa ácida





vida



fui criada à semelhança de eva. minha primeira mãe, minha primeira verdade. e o resto da minha vida de incertezas.

afinal, meu Senhor, de quantas costelas fui feita? de quanta bondade e desapego? de quanto amor?

e aquele presente, Senhor, que me deste e se acabou? por que me fizeste sentir o gosto do fruto, para logo em seguida enfiá-lo garganta abaixo daquele que eu mal conhecia?

hoje ele passeia por aí, exibindo minha culpa em seu pescoço. um pomo de carne e osso, desafiando o meu destino. tão pequeno e perigoso.

e agora a pergunta derradeira, aquela que me aperta a alma, e te faz, para sempre, devedor:

como, diabos, foi parar a serpente em minha história, meu Senhor?



mariza Lourenço

antes de mais nada quero agradecer o carinho e votos de feliz aniversário recebidos de todos os amigos. prometo fazer um post especial em agradecimento, mas, hoje não... hoje quero falar sobre um poeta...

o poeta de versos vermelhos. meu amigo poeta, meu parceiro poeta, meu crítico poeta. o poeta que, desde sempre, tem estimulado minha escrita, quer seja através de conselhos preciosíssimos, quer seja através de elogios rasgados, exagerados em sua grande maioria. a gente vive brigando por conta de nosso temperamento geminiano. ele faz questão que eu administre todas as suas páginas e blogs, mas não obedece, não manda textos pra atualização quando peço e, ainda por cima, faz cara de paisagem quando envio meus e-mails desaforados. é um poeta enrolão, como ele mesmo faz questão de se definir. em contrapartida é de uma doçura e disposição ímpares. um grande incentivador. um grande e talentoso escritor. um homem inteligente e porreta. daqueles que não se esquece nunca. daqueles que ficam pra sempre dentro da gente.

hoje, 29 de maio, é o dia dele.

Parabéns, Luiz Alberto Machado! Felicidades, poeta!

beijo e carinho desta Marizocalinda (o linda é por sua conta e risco... rs)


um poema. uma prosa. dele.

(ao som de Köln Concert, lula, em sua homenagem)





ALTER EGO


Abri a porta e o céu estava cinzento
E na penumbra da sala
O meu coração está feliz com os acordes do Koln Concert de Keith Jarret


A minha pena ainda transcreve imagens da cabeça
De um asno na lira e seus fragmentos múltiplos desentoados
De pedaços outros


Deus me abençoe
Deus me proteja nessa desolação
Uma ausência que atormenta


Joguei meu último poema no riacho
E outros tantos no interior das garrafas para jogá-los ao mar
Quem sabe alguém desavisado
Não se importune ao ler meus versos


A solidão me silenciou
Estou esvaziado
Logo eu que vim curumba da terra batida do Una
Nascido em sessenta com Brasília e o videoteipe
Expondo agora sintaxes exclusivas do coração
Inauguro a minha agonia
Eu que morri tantas vezes sem chegar ao desespero
Que vim de longe, de um mundo pequeno
Onde hoje a vida é quase reduzida a uma condição inóspita


Eu que ergui a minha própria casa
O meu contíguo pardieiro
E fiquei entregue ao meu abandono
Sem nunca haver ambicionado grandes palácios
Ou usado um cajado para imprimir a ordem


Eu que sou o mar que beija a terra
Na pose mais íntima de se amar


Sou eu que valho o que medra nada
Um astronauta intrépido no mundo da lua
Um zagueiro insone das coisas da minha gente
Um lavrador dos dias que venham depois


E quando beijo eu sou de mim o que é para todos
E quando abraço eu sou de graça o que é de mim
E quando sorrio eu sou de paz prá não ser guerra
E quando eu choro eu sou em flor mais que a ternura


Sou eu calor a quarenta e tantos graus
Eu sou o tom de si, de mim, Jobim
O tom que salte, deite, Waits
O que faz, que foi, que é, Tom Zé
O tom depois, de antes, Tom Cavalcanti


Sou eu que gosta de cheirar xibiu de moça donzela
Sou a que já no caritó reza todas as noites por Santo Antônio casamenteiro ajeitar um príncipe encantado para esquentar os pés nas noites de frio


Sou meu coração Caravaggio pintando o sete e santos
E sempre atraído pela promiscuidade e rebeldia


Meu coração de frases obscenas na calada da noite
Na luta para não ser devorado na competição natural da vida


Meu coração pavão a legislar em causa própria
Sempre a me desvencilhar da espada de Dâmocles sobre a cabeça


Sou eu que tenho a força do braço Anteu sem poder largar o chão do meu país
Eu, depositário de tudo, sempre paguei o pato
Azougado como quê, completo de emoção
E sob o efeito do álcool, hum! um timoneiro na proteção de mercúrio seduzido pelo insólito já que nada me é estranho


As minhas batalhas algumas ganhei, muitas perdi
Nunca gostei de jogo, claro, um mau jogador


Coisas que vi que fiquei passado
Nomes que não sei dizer
Ainda perdi o que de melhor me restava


E tive de ser São Jerônimo depondo à caveira
Aguçando os meus cem olhos de Argus
Apenas sabendo o que é bom ou mal por ser desobediente
Plagiando Shulock
“Us” de Peter Gabriel
e o meu trono absoluto no banheiro
reunindo os meus pecados
You’re the top de Cole Porter
A fascinação pelo proibido


Os meus gritos até me assustam
E alguns até me extasiam


Eu divido a minha mesa
Partilho a minha alegria
Meu ancestral fenício
Minha herança viking


Devo estar me masturbando:

Minha solidão
Meu claustro
Duvido que eu tenha sanidade mental


Os demônios estão soltos
Quem sabe e por alguma forma possam me perdoar


Eu sei dos meus fracassos no meio dos sonhos de Kurosawa


Bastar-me-ei a mim mesmo se de mim
Sobrar alguma coisa


© Luiz Alberto Machado.

Direitos reservados.




Caravaggio: Narcissus.
Galleria Nazionale di Arte Antica, Rome
from CGFA






BOLERO


À meia luz, mão na mão, passo a passo. E a pele lua de algodão pousa leve como um pássaro levitando nos meus braços agudos.

São dois passos lá demovendo todas as nuvens do meu sexo. Dois passos cá, uivando nua, possuída de vida que não troca nada de si por nada desse mundo, só a girar embalada pelo ensaio que se faz chama na fúria íntima e se alastra fogo vivo em nossa alma.

Pro mundo é noite calma, enquanto em nossa carne a terra cresce ruidosa, desembestada, ciclone rompendo a órbita de todos os ventos que revolvem as entranhas nos campos magnéticos da celebração dos quadris.


A dança e o perfume me recolhem insepulto de ontem na noite, capturado pela teia que arde e retorce nosso lençol de nada e eu como um deus sacudindo a vida pelas labaredas da boca, pelas chamas do ventre à medida do coração.


A cada enleio sua manha enreda e desvencilha e torna a enredar, infindável urdidura na taça do meu sexo. E se adoça com os meus venenos até acender em sua mão lépida efervescente a fazer de mim lascivamente eletrizado até sentir-lhe a boca do útero e tudo adensa e cresce rodopiante mundo, enquanto sou Ravel extasiado e você bolero nas minhas veias até transbordar nossas emoções avassaladoras.


A dança e o corpo nu inteirinho colado ao meu, fincado no salão do amor, inundando tudo, corpo saqueado no apelo do bolero e dançamos, rodeamos, rodopiamos, mão na sua e na cintura, o salão, o corpo inteiro e a noite inteira dança intensa até o último portal do prazer: começaria tudo outra vez.


© Luiz Alberto Machado.

Direitos reservados.








Breves
considerações pré-natalícias

(ou de como me sinto às vésperas de mais uma primavera)


neste aniversário quero um espelho novo:
mágico e mentiroso.


(acho que ele não me ama mais)

***

ainda acredito em coisas óbvias e em outras nem tão óbvias assim:
elvis não morreu e o amor não foi feito pra mim.


(ele acha que eu acho tudo errado)

***

levando em consideração os juros excessivos. levando em consideração o
o avanço da ciência. levando em consideração esta tola insegurança,
pergunto-me: ano que vem valerá à pena implantar 120 ml de silicone nos
peitos?


(ele disse que sou bonita. ele me ama)

***

sempre deixei pra amadurecer um dia depois dos erros que cometi.
definitivamente, crescer nunca esteve em meus planos.


(dane-se tudo. eu também te amo)

***


28 DE MAIO



Nasci aos vinte e oito dias do mês de maio em um ano qualquer de Nosso Senhor Jesus Cristo — fazia um frio danado — e minha mãe, coitada, fingia-se de forte para impressionar papai que detestava mulher escandalosa.

Eu que nem me importava ainda com o sofrimento alheio, queria mesmo era colocar a cara no mundo, pois já andava cansada daquele aperto todo.


— Essa criança é fogo na roupa, se for menino será jogador de futebol, se for menina será bailarina. Disse o obstetra.

Acertou em parte, Doutor! A dança ensinou-me a ser leve na vida, cuidadosa em não machucar os caminhos. De resto, sou o que escolhi ser: LIVRE.

Assim eu nasci: gritando, cheia de fome. Os gritos — absolutamente desnecessários — controlo-os à medida em que cresço.

A fome, ah!... Nunca passou...

Graças a Deus!



MARIZA LOURENÇO

para o moço das tempestades

hoje é aniversário dele, do moço das tempestades todas, do companheiro de lista, do parceiro de trabalho, de arte e de música.
hoje é dia dele, do amigo do peito, daquele que me atura e aos meus pedidos absurdos em meio à madrugada: Marcinho, help me, como eu faço botão em flash? Marcinho, não entendi nada, repete? Marcinho, pelamordedeuso, tá dando pau na janelinha de música. Marcinho, faz um desenho pra eu colocar numa página que tô fazendo?
e ele explica e ele faz e ele é paciente. porque sua alma é assim: generosa e solidária. porque ele é assim: uma tempestade boa. daquelas que vêm pra ficar.
parabéns, querido! desejo a você tudo de bom e muito mais.


Uma prosa e dois poemas de Marcio Enrico.





devaneios


abri a janela, aquela que me deixa ver o mundo, e é alta demais para pular. olhei a calçada vazia, de pessoas e histórias e pensei, por um só segundo, que você passaria por ali, na minha frente, como sempre fazia, mas só as marcas da mal feita calçada estavam ali, deixadas por algum pedreiro de meia-tigela, como testemunho de seu trabalho ruim. logo depois de fechá-la, apressadamente a abri. novamente o vazio da rua entrou em minha sala.


ninguém passa por aqui!

ouço uma voz que sai do cartaz colado no poste.

ninguém!

a figura triste que ilustra o cartaz, inconsolada pelo reconhecimento da solidão, não percebe que existem muitos dos seus ao seu lado e que o seu fim é efêmero, para sua espécie: efêmera.

volto a sentir o vazio daquela rua, agora sem a voz do cartaz ou o latido dos cachorros ao longe, apenas o som do vento empurrando uma sacola plástica de supermercado, que bailava suavemente entre os paralelepípedos ao sabor de seu parceiro de dança que a levava para um destino que não importava, apenas queria ser levada em uma música surda no repentino tranco recebido ao se enroscar em um arbusto.

a sacola, o cartaz. personagens de uma rua insólita, cantada por cachorros que vivem longe e dizem do que nunca viram, embalando a música que faz rodar o vento e dançar suas parceiras, ora folhas, ora sacolas plásticas. ora qualquer coisa que fosse leve e estivesse em seu caminho (isso porque já tentou ser forte e destruiu o que queria levar para dançar. sabia de suas medidas e sua vontade não era mais a mesma).

tudo pode e tudo vem, ali no abandono momentâneo de sua alma, perdida entre devaneios e sussurros de um vento mais forte, com a certeza do rumo da tempestade que agora molha um jardim de flores incertas e de perfumes absolutos.


claros momentos com cheiro de terra molhada, a festa de esporos tomados pelo vento a rodar sua fortuna de cair em solo amigo, folha dançando a cada gota que rola em seu seio, planta que sorve a umidade que percebe lenta, profunda


...chove!






de sombras exatas faço traço de meu caminho

com rumos tortos de destino certo

não importa a distância, mas o passo

nem olho o que calço, mas a estrada

com cheiro de fruta e rodamoinho

poeira solta e passarinho

vento forte com chuva, às vezes frio

quando a pele sofre e a alma cansa

cachoeira, pedra, canto, rio...






home session


em céu azul triste cinza

cai a luz e os tormentos

de alma que ama e chora

em lamentos e ternuras

ora latentes

hora que foi


ora...


clama

pelo que vem

pelo raio de sol

esgueirando-se

entre o peso de nuvens

de tempestade eterna.

semana bonita, proveitosa e gostosa... *;)


prosa.






a lua



(você é tão branca, parece uma lua. são estranhas as linhas em seus braços tão brancos. seu sangue é azul?)

meu confessor não acredita em mim. (desde pequena). ele quer que eu purgue meus pecados, mas me tenta com mãos e olhos de quem já pecou tanto quanto as ovelhas de seu rebanho.



Padre,


de azul só o céu, tão longe dos meus sonhos. tão distante das minhas vontades. todas elas de cor encarnada. todas elas navegando sob esta pele branca de lua.

não nasci para partilhar da mesma mesa dos santos. minha vocação é vermelha e meus nobres propósitos se confundem com meus desejos ordinários. nunca termino uma reza sem implorar que um raio me abata em expiação dos pecados que cometo em pensamentos.

confesso todas as semanas e sempre pago três dias de penitência. mas volto a pecar na décima quinta ave-maria. (ao todo são trinta). a tentação é recorrente porque tudo me tenta e nada me faz recuar. nem a promessa de purgatório.

o senhor me faz ler a palavra. a palavra diz que todos têm salvação. até na hora de nossa morte. (amém). mas que salvação é esta que me obriga a carregar na alma este punhado de culpa? e que culpa é esta que me obriga a ajoelhar sobre as tábuas carcomidas de seu confessionário?

o senhor se apieda e me bate. me condena sempre pelos mesmos pecados. mas me tenta ao falar da minha brancura de lua. ao expor seus olhos de homem através da treliça.

meu sangue é vermelho, Padre, se espalha todo dia sob esta pele que tanto o excita.



e a lua é minha parenta por mero acaso e distração do criador.




mariza lourenço

menino pequeno quando pega gripe e tosse seca, a gente costuma falar: ih!, esse menino tá com tosse de cachorro.
eu tô assim, feito criança pequena. cruiz no meu credo...

mas a febre já passou... e a dor no corpo também. *;)


brincando de gata... bem-humorada.
(três curtíssimos e um poema).

1. enviei as inocentes prositas abaixo para a lista de discussão literária *Com Texto.

gatas

I

a gata no cio saiu de casa pra miar no telhado vizinho.
(gata no cio tem telhado de vidro)

II

o pássaro afoito foi parar entre as patas (traseiras) da gata.
a gata ansiosa engoliu o pássaro afoito
: com pena e tudo.

mariza lourenço



2. daí, os meninos (de maldade, vejam só) me chamaram de gulosa. um deles, inclusive, arriscou uma prosa.

depoimento de um pássaro rasteiro (capturado)

eu era um pássaro feliz!
morava na décima terceira telha solta do telhado do casarão.
minha vida era cantar, namorar umas passarinhas, comer alguns insetos, pular de galho em galho, desafiar um ou outro oponente pelo meu território... uma vida normal de um pássaro normal, adulto... resolvido... ou pelo menos pensava que era.
minha vida mudou quando vi um telhado ao norte de minha cerejeira favorita, fui marcar meu território, ver se tinha alguma passarinha, algum ninho... foi quando apareceram aqueles olhos amarelos de fogo, naquele corpo esguio e sensual, e recebi o que pensei fosse o último lance de minha vida, o último salto,
sobressalto!
agora sei que aquela vidinha de antes era uma merda!

marcio enrico


3. e eu aguento ficar quieta? claro que não, rebati com um poema. (não posso com menino malcriado. hehehe).

eu vou contar pra vocês (da gata...)

como se dança o baião...

esta gata só é gata
porque guarda entre as patas
um bocado de trapaça


a gata grita... a gata mia...
(aparentando desconsolo)
passarinho lá de longe
fica em riste e alça vôo.

a gatinha lambe as patas
afia as garras, torce o tronco
vem chegando o emplumado
pra servir de seu almoço.

ó mon dieu, ronrona a gata
(fingindo desproteção)
estou há tanto tempo solita
sem nenhuma distração.

o passarinho solidário
louco pra dar atenção
se apruma na pontaria
e mergulha de cabeça...
bem no colo da felina.

e é por isso que eu digo
e torno a repetir
esta gata só é gata
porque guarda entre as patas
um bocado de trapaça.


mariza lourenço

***


todo este bom humor e tanto palavrório tem um motivo muito sério: amor. amor pelos amigos que, diariamente, têm presenteado esta mulher com sua presença, carinho e atenção.

muitos, muitos beijos a todos.

mariza


*a Com Texto é uma lista de discussão literária, criada por esta prosadora e pela poeta Márcia Maia no ano de 2002. atualmente a lista conta com a participação de 23 membros.*

semana bonita... ;)


gripada ainda e sem ânimo. culpa minha, confesso. abusei demais e agora sofro as conseqüências de uma recaída.


hoje, além do desejo de uma semana bonita, deixo um convite e um poema antigo, o qual republico tendo em vista sua circulação, dias atrás, sob outro nome e completamente desfigurado.


o convite:

visitem o Alma do Beco. é um blog maravilhoso, gente. seus responsáveis, Eduardo Alexandre e Márcia Maia, postam diariamente poemas e crônicas belíssimos da turma do Beco da Lama.


o poema:





Escrava



Teu poema, inclemente, me encarcera,



umedecendo, de gozo, os meus versos.



Espancando, com a pena, as minhas rimas,



se assanha, feito bicho, entre meus seios.



Teus dedos em tuas mãos; ágeiss tentáculos,



aprisionam de vez minhas vontades,



deixando-me à mercê dos teus domínios,



amarrando-me os pulsos, como escrava.



O ar que me vem é da tua boca.



Meus gemidos quem sufoca é tua língua.



Teu verbo, desconexo aos meus ouvidos,



me faz louvar - indecente - o teu nome.



Em minha barriga, passeia impune o teu falo.



Sob teu corpo, o meu, é prazer e desgoverno.



Entre minhas coxas tu desenhas tua fúria,



em teu pescoço cravo dentes de poesia.



Mariza Lourenço


sem palavras...






CREDO

creio na palavra e boa intenção alheias.

(mesmo que todos os indícios contrariem minhas crenças... creio)

creio por opção. prefiro encerrar as dúvidas em algum canto escondido

:em mim.

(mesmo que eu caia... e caio. mesmo que eu desça ladeira abaixo... e desço... creio)

creio e esta crença me faz acreditar novamente naquilo que me provoca a queda.

creio e esta crença me faz subir escadas de joelhos.

toda vez.

(creio)


mariza lourenço


uma semana pra lá de excelente... *;)


gripada... com dor de garganta, dor de ouvido, no dedão do pé... ai, no umbigo. mas isso não impede, claro, que eu escreva uma prosinha básica e curta. e certeira, espero.

***

voltando pra contar que recebi um presente muito bonito da Val, do blog pensar é um ato. conheço Valéria há pouco tempo, mas sua sensibilidade faz-me sentir próxima demais. gosto do jeito bonito com que ela trata os poemas, transformando-os em imagens perfeitas.
obrigada e beijo, Val.
***

voltando 2
recebi uma referência muito legal no blog da Shadow, o excelente Navegando no cotidiano.... vale a pena visitar. Shadow, além de inteligente, tem umas sacadas cotidianas bárbaras. dá gosto ler.
beijão, Shadow

***

voltando 3
hoje tem atualização da revista germina. visitem.

e esta gripe que não passa? *;(





cotidianamente erótica

e banal



1

sentou-se ao meu lado e disse uma indecência tão antiga e irresistível que me arrancou um sorriso

(e a calcinha de renda chantilly)



uma hora depois.



2

gosto de vê-lo tirar as roupas às pressas, enquanto tiro as minhas, l e n t a m e n t e, peça por peça. até que, de joelhos, ele peça.



(...tire)



3

entre pecado e castidade, sou inteira.

nunca metade.



mariza lourenço

FELIZ DIA DAS MÃES!

 

A maturidade e a experiência, especialmente, ensinam coisas importantes sobre a maternidade.

A despeito da minha fé e, consequentemente, da religião que escolhi professar; a despeito, até, da classificação da mulher como ser procriador, não acredito que tenhamos nascido para interpretar papéis definidos.

Mulher não nasce para ser mãe. Mulher escolhe ser.

E o livre arbítrio é que torna a maternidade um milagre. O mais bonito de todos.

Quando optamos pela maternidade, colocamos nossos corpos à
disposição de outros corpos. Transformamo-nos em casas, em alimentos vivos. Em abrigos.

Quando optamos pela maternidade, não importa de que maneira, se de nossos próprios filhos ou dos filhos alheios, transformamo-nos em terra. A terra que alimenta.

E dessa escolha nasce o amor. O maior de todos. Porque é voluntário, porque cria vínculos eternos.

Neste segundo domingo de maio, quero deixar a todas as mães, o meu carinho incondicional e mais um tantão de amor.

Desta mãe.

Mariza Lourenço

por uma maternidade consciente e consentida. 

uma quarta maravilhosa, apesar do frio... *;)





...en faisant l´amour



                                                         partir-me em muitas
                                                        até nada restar
                                                        além deste silêncio
                                                        impregnado de gozo





estar só e sentir desejos.

estar só e deixar o corpo alimentar a si mesmo

(é sua função).

ainda que, inutilmente, a fome reclame outro corpo.

deixar...


(...)


materializar o sonho e deixá-lo traçar o caminho certo para o prazer

(é minha função).

fazer dos dedos, língua e membro, o encaixe perfeito

do sonho (dele) em mim...


(...)


talvez eu tenha nascido do jeito errado.

talvez a solidão cometa pecados.

não importa a definição que se dê


para este jeito plural de amar.


dentro de mim, há tempos, o pecado virou instituição.


(...)


estar só e sentir desejos.

estar só e (mesmo assim) saciar a fome

deste útero que remexo


com todos os dedos da mão


...que um dia a terra há de comer.


mariza lourenço

boa semana... *;)

 

nos últimos tempos e por motivos que a maioria conhece, precisei me afastar da blogosfera. ainda assim, não fui esquecida pelos amigos que, amorosamente, resolveram indicar meu nome para integrar uma corrente literária que, atualmente, conta com a participação de quase todos os blogueiros que conheço.

agradeço aos amigos, pela ordem de indicação, Manoel Carlos (Agreste), Márcia Maia (Mudança de Ventos; Tábua de Marés; Alfabeto e Alma do Beco), Dácio (Chega Mais...) e Barbant (Poligrafia), a lembrança do meu nome.

 

 

bora lá, responder... *;)

 

Ex-Libris da Tugosfera



Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?


Qualquer um de Machado de Assis, preferencialmente Dom Casmurro ou ainda, Uma Senhora, conto do mesmo autor.



Já alguma vez ficaste apanhadinho(a) por um personagem de ficção?


Tantas vezes que nem dou conta de numerar (e nomear) todas as personagens. De pequena quis ser Narizinho arrebitado, Ana Maria ou, então, alguma mocinha sofredora de folhetim.  Mais adiante, encantei-me por Capitu e D. Camila, ambas de Machado e Emma Bovary, de Gustave Flaubert. Sim, e outras damas, nobres ou não, fascinaram-me. Gosto de personagens fortes, ainda que aparentem fragilidade, ainda que percam o rumo por conta de uma paixão ordinária. Feito eu.



Qual foi o último livro que compraste?

Os últimos livros comprados, por motivo profissional,  são técnicos e em sua grande maioria, tratam do processo penal (uns 8 ou 9 que acabaram comigo, de tão caros). Mas não os compro e leio somente para me manter atualizada, já que me dedico com paixão à minha área de atuação.  Re-comprei um livro que já havia lido, e que se encontrava perdido em mãos alheias: Memórias Póstumas de Brás Cubas.

Tenho ainda à espera da minha leitura O Código Da Vinci, mas, confesso, ainda não tive tempo (nem paciência) para lê-lo.



Qual o último livro que leste? 


Execução Provisória (Ricardo Hoffmann) e, por motivo de saudades, Histórias sem Data (Machado de Assis) e Os Componentes da Banda (Adélia Prado).



Que livros estás a ler?


Estou relendo O Caso dos Exploradores de Cavernas (Lon L. Fuller), além de uma belíssima coletânea (presente de Barbant, amigo muito especial) de poemas e textos poéticos organizada por Leopoldino Serrão.




Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?

Ah, que judiação. Somente 5? Infelizmente, teria que fugir à regra, e mesmo às custas de um naufrágio sem sobreviventes, não deixaria de levar comigo todos de Machado de Assis, Guimarães Rosa, Eça de Queirós, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Lygia Fagundes Telles, Patrick Süskind. Levaria milhares de poemas avulsos, para relê-los sempre que doesse a alma. Levaria todos os poemas das poetas que amo, para relê-las sempre que meu coração sentisse vontade de bater diferente.

 

Vá lá, cinco somente?

. Dom Casmurro

. Memórias Póstumas de Brás Cubas

. Grande Sertão: Veredas

. O Primo Basílio

. Cadeira de Balanço

 

ah, por favor, mais alguns:

. As Meninas

. O Perfume

 

Levaria ainda Robinson Crusoe, para entender a solidão.
Levaria também O Príncipe , pra nunca mais ter vontade de voltar.




A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e por quê?


Aiai, não consigo lidar direito com números e seus limites.

Minha indicações:

Luiz Alberto Machado, jornalista e escritor, editor do Guia de PoesiaVarejo Sortido; Ela nua é linda; Música, Teatro e Cia e Tataritaritatá.

Maísa Cristina Vibancos, dos blogs Olhares da Poesia e Versejando com amigos.

Padre Bidião, escritor e colaborador eventual do Tataritaritatá.

 

As indicações das três pessoas acima, tem origem não somente nos laços de amizade comum que nos une, mas, também, por estarmos partilhando, na condição de editor (Luiz Alberto Machado) e moderadores, do mesmo espaço (Fórum de poesia - Sobresites).

 

é isso... beijos.

mariza