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27/05/2009

considerações geminianas

porque amanhã é meu dia... *;)

não esperem grandes revelações acerca da minha vida, tampouco perguntem quantas velas precisarei apagar. só de imaginar o tamanho do sopro me sinto exausta.

durante a madrugada, de hoje para amanhã, mamãe virá me acordar. como sempre tem sido desde que nasci.

minha mãe me puxará as orelhas e me desejará um novo amor. ela não desiste. e eu me sinto bem, quase a criança de tantos anos atrás, de futuro incerto e largo. quase a adolescente sem compromissos imediatos; afinal, havia um tanto de vida a ser vivida. um tanto de amor a ser descoberto.

minha mãe me desejará o melhor dos dias e eu voltarei a dormir mais um pouco. e a sonhar, quem sabe, com um enorme bolo, com uma vida inteira pela frente e, ainda, quem sabe, com o futuro. incerto e largo.

amanhã, 28 de maio, é dia de colher primaveras e recolher, com a alma, o inverno que se aproxima rapidamente. é dia de contabilizar alguns feitos, algumas tristezas e incontáveis alegrias. talvez seja meu melhor dia para pensar que tenho sido mais feliz do que as inúmeras previsões de lágrimas que, um dia, alguém enxergou nos astros.

amanhã meu inferno astral termina e eu pressinto que, para este novo pé-de-galinha (surgido sem meu consentimento), existe uma técnica especial de maquiagem. fazê-lo sumir é medida urgente para espantar o tempo e enganar o espelho. pois então, que seja.

mariza lourenço

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14/05/2009

de ventanias...

têm sido assim os dias, de bem-vindas ventanias, de correria e de muito trabalho. como diz uma querida amiga de beagá 'ando apertada de costura', motivo que me faz ausente deste blogue e dos blogues amigos. espero que perdoem a minha falta de respostas e de visitas.

retorno antes das festividades juninas, se o vento não me levar... hehehe

beijos

mariza
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10/05/2009

perfect day

os motivos ... *;)


meus bebês... *;)

a dona deste blogue, a mãe da dona,
a filha da dona


meus melhores e maiores amores.

os filhos foram perfeitos, não se esqueceram nem da trilha sonora, bem ao gosto de cada uma das mães presentes. 08 ao todo. um dia pra ficar registrado. um dia pra não se esquecer de como é bom ser filha e mãe.


minha postagem de hoje, complemento da anterior, e muito simples, é homenagem às mulheres e mães da minha família.

amo vocês, meninas.
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09/05/2009

de mães e de pães

Mãe

— Pô, mãe, que mesada "merreca"!

— Mãe, empresta a sandália nova? Já peguei, viu?

— Manhê, você não esqueceu que dia 21 é meu aniversário, né?

— Mãe, você não me compreende mesmo...

— Manhê!!!

— Mãe?!?

— Mãeeeeeeeee!

— Chega! Para! Renuncio ao cargo! Juro a vocês que se ousarem pronunciar a palavra "Mãe" nos próximos 10 minutos, cometo um atentado. Nem mais um pio!

— Piu...

Mãe é isso. Pau para toda obra, colo para ninar filho pequeno e embalar "meninice" de filho grande. Ombro para aguentar o peso da dor, boca para encher filho de beijo, boca para mandar filho calar a boca, braço para carregar filho doente, coração para receber filho de volta.

Mãe é caso de amor resolvido. Com mãe não se discute a relação nem se questiona o fim. É amor que não vai embora nem se teme perder. Mãe é caso de amor muito sério.

Mãe não tem filho bandido; tem filho injustiçado.

Mãe não tem filho vagabundo; tem filho incompreendido.

Mãe nem sexo tem; é santa.

Mãe que é mãe não se faz de rogada, arma confusão se souber que o filho foi rejeitado pelo time de futebol.

Mãe que é mãe anda sempre prevenida; leva na bolsa um lencinho quando vai às festas da escola do filho.

Mãe que é mãe tolera tudo; tapa na cara, pancada e grosseria se isso for necessário para defender a cria.

Mãe que é mãe fica escondida atrás da cortina esperando a filha retornar da noitada.

Mãe não dorme, cochila, morta de medo de perder o suspiro do filho.

Para a mãe não existe dia, noite e céu estrelado se não enxergar nos olhos do filho toda a felicidade do mundo.

Mãe diz coisas óbvias, filho ri, acha careta, torce o nariz, mas lá no fundo, bem que gosta.

***

o conceito de maternidade é tão grande e largo e bonito que extrapola todos os limites e explicações. afinal, o que significa ser mãe? gestar, parir, criar? entendo que não. entendo que está além, muito além de carregar na barriga por nove meses uma criança. entendo que está além de sentir e sofrer as dores de um parto. maternidade é escolha e não existe nada mais bonito do que optar por trazer ao mundo um novo ser. mas é escolha, principalmente. escolha que, diariamente, fazem mulheres e homens quando decidem gestar, adotar e criar uma criança.

a maternidade é um ofício. um ofício de amor, sobretudo, ao qual se lançam mulheres e homens dispostos a amar incondicionalmente os filhos que a natureza ou a vida lhes destinou. não existe diferença entre a mãe que pare e aquela que acolhe como seu o filho de outro ventre. não existe diferença entre a mãe que amamenta e aquele homem que, sozinho, cria seus filhos e os alimenta com leite em pó.

a maternidade é uma escolha e um ofício para toda a vida. e, certamente, é a melhor e mais bonita escolha que alguém se dispõe a fazer em favor da vida e do amor.

às amigas e aos amigos mães meus votos de um feliz Dia das Mães.

mariza lourenço

por uma maternidade consciente e feliz

P.S.: esta postagem será publicada simultaneamente no blogue Duas por Todas.

[imagem: Amamentação, de Pablo Picasso]
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08/05/2009

a violência de cada dia

Violência e Silêncio

sempre digo a mim mesma, e disso tenho certeza, que há muito mais choro que riso na causa que escolhi abraçar. e embora as pequenas vitórias me sejam agradáveis, ainda não consegui me acostumar às pancadas. não as que, eventualmente, levo, mas as que vejo outras pessoas levarem, por desconhecimento, por falta de apoio, por falta de socorro, por falta de vontade e disposição de quem teria obrigação de socorrê-las em seus infortúnios.

dona R. me foi apresentada há duas semanas atrás. negra, pobre e iletrada, dona R. engrossa a fileira de seres humanos discriminados e excluidos em razão do gênero, da cor e de sua condição social. não bastasse isso, dona R. sofre diariamente, e em silêncio, um dos piores tipos de violência doméstica: a moral e psicológica. diariamente, seu marido, um típico agressor, truculento e dependente químico, a maltrata com palavras, com ameaças, com desrespeito, desprezo e desamor. dona R. é tratada como lixo, dentro e fora de casa. como se sua cor e sua pobreza fossem sinônimas de doença contagiosa. como se seu gênero não merecesse outra coisa senão desprezo e agressão.

tudo muito triste, não é? mas existe tristeza maior, creiam-me. e por tristeza maior não me refiro àquela que se sobreponha, em violência, à sofrida por dona R.. a tristeza maior é ouvir de gente tão privilegiada quanto eu pela vida, de que dona R. sofre violência porque quer. "por que não se separa?" "por que não dá um basta?" "por que continua 'abrindo as pernas' para esse homem?" "por que se submete?"

a essas pessoas lamento informar, como já o fiz, que dona R. se submete porque a ela não restaram recursos psicológicos para ser de outra maneira. dona R. é uma sombra do que foi e poderia ter sido. dona R. teve sua personalidade descaracterizada pelos maus tratos. dona R. não teve apoio, conhecimento, nem informações suficientes para se desvencilhar de sua situação. dona R. deixou de existir para garantir a sobrevivência de seus filhos e de seu corpo, porque sua alma, essa já foi.

"ora, Mariza, e a lei?"

ora, meu caro, minha cara, a lei existe para quem a conhece. e quem a conhece, por uma questão de cidadania, de humana solidariedade, deveria ter como princípio, orientar aqueles que não dispõem do mesmo conhecimento.

e você, querido concidadão, estimada concidadã, em sua condição privilegiada de conhecedor(a) das lei deste País, a quantas pessoas orientou a respeito de seus direitos?

pense nisso. *;)

mariza lourenço
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01/05/2009

um bruxedo para as moças... *;)

será que dá certo? *;)

anos atrás, conversando com uma querida amiga, bruxa e taróloga, surgiu a inspiração para um bruxedo ou sortilégio poético. eu nunca havia exercitado esse tipo de escrita, que se assemelha a um mantra. tentei outras vezes, mas esse sortilégio é meu preferido.

meninas, por favor, caso dê certo me avisem, porque de escritora para bruxa falta muito pouco... *;)

(para reclamações, contatos e elogios e/ou consultas, dirijam-se, por favor, à tenda de Madame Marizoca... hehehe)

Sortilégio


Quando no céu a lua muda, despontando barriguda, a moça se veste de negro e recita seus encantos, para o amor segurar:

Se comigo ele não fica, com ninguém há de ficar.


E ele, que dorme inocente, não sabe explicar o que sente quando lhe ataca um desejo, que vai do peito ao baixo-ventre.

Se comigo ele não fica, com ninguém há de ficar.


A moça ri -- escandalosa -- e invocando os benefícios dos deuses, despetala uma rosa, enquanto come uma fruta, cheia de tesão e de gula:

Se comigo ele não fica, com ninguém há de ficar.


E o moço -- agoniado -- salta da cama, aparvalhado, abre portas e janelas, tira as roupas, sai ao relento, tentando dar cabo de todo aquele tormento.

Se comigo ele não fica, com ninguém há de ficar.


Pia lá fora a coruja, crocita o corvo, gemem as estrelas com dores de parto, a noite estrangula os sonhos decentes, da fruta, a bruxa engole o último pedaço:

Se comigo ele não fica, com ninguém há de ficar.


Dez pancadas na porta, um grito desesperado, a moça desce as escadas para receber seu amado. Ele entra -- parece um demônio -- e sem dizer nada lança-a ao chão, mordendo-lhe a boca, cheio de fúria e paixão.

Se comigo ele não fica, com ninguém há de ficar.


E desta vez quem gargalha é a lua, cúmplice que é, de toda mulher...

E de bruxa!...


mariza lourenço
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