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27/03/2010

uma coisa leva [a] outra



pois bem, o caso Isabella Nardoni, por ora, está encerrado. a defesa apelou e haverá um embate na corte, pois salvo melhor juizo, a defesa protestará por um novo juri, e ainda existe dissídio jurisprudencial a respeito, mas não creio, sinceramente que, ao final, a brilhante sentença de primeiro grau seja reformada. em minha opinião a condenação foi justa e a pena respeitou a lei vigente (o sistema brasileiro é trifásico). o juiz prolator, ao dosar a pena, não deixou escapar absolutamente nada, o que, naturalmente, só reforça a opinião de que a sentença não sofrerá alterações em segundo grau.

no entanto, e apesar de ser um caso de clamor popular, as manifestações 'xiitas' contra o defensor dos réus extrapolaram as medidas. ora, defensor não é parte, não é réu e não está sob julgamento, portanto, confundi-lo com seus clientes é um erro, mesmo porque, em obediência ao princípio da ampla defesa, não deve haver intimidação ou cerceamento, sob pena de nulidade processual.

e uma coisa leva [a] outra

penso em crianças, em filhos, e na questão das relações familiares. a verdade, tomando como exemplo o caso da menina Isabella, é que as crianças ainda continuam sendo as grandes vítimas de relações desastrosas e, no caso de formação de um novo núcleo familiar, tornam-se alvos fáceis e indefesos de ódios por parte de novos companheiros de seus pais. isso é fato e pode ser comprovado através das inúmeras ações que tramitam nas varas de família, onde se discutem modificações nos regimes de visitas.

as nossas crianças (sim, todas são nossas) que, em princípio, deveriam ser protegidas e distanciadas de discussões as quais não deram causa, acabam por se transformar em joguetes e, muitas vezes, moedas de trocas entre adultos que têm olhos somente para seus umbigos.

é muito triste, especialmente quando se é obrigado a lidar com a natureza egoísta humana. a lei mudou, a constituição garante e o ECA está aí para ser cumprido, mas e a sociedade? que consciência a motiva? sobre isso, confesso, ainda não consigo opinar.

mariza lourenço

[imagem de natsuo ikegami]
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