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24/06/2010

O Amor é... (azul, branco, vermelho...)

VIVA

(ainda que, um dia, me seja doloroso o amor)



ama-me, como nenhum outro me amou. e há de amar.

(ainda que suas mãos nunca tenham deslizado entre as minhas coxas, nunca soube de outras que me fizessem tremer. feito as dele).


foi assim: sem que me apercebesse de sua vinda (amor, era noite ou dia?), veio e, devagar, fez-se. rompeu o delicado lacre do meu baú de resistências. fez-se. flagrou-me a alma nua e me amou. tanto quanto é possível amar alguém que teme o amor.

(ainda que de sua língua nunca tenha sentido a textura, nunca soube de outra língua que me deixasse completamente úmida. feito a dele).


tem sido assim: absurdo e incoerente. mágico e permanente. tão constante quanto o escoar do tempo na ampulheta. e tão certo quanto a noite engolindo o dia.

(ainda que seu corpo o meu não toque e que em sua cama meu cheiro não frutifique, dentro de mim, em tempo algum existirá outro gozo que não me faça lembrar seu nome).


ainda que desconheça os calendários futuros e que em minhas mãos todas as linhas se apaguem, somente a esse amor destinarei o segredo desta minha vida


viva.

mariza lourenço
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