O Deserto. A Flor
somos todos iguais? não, lamentavelmente.
somos todos iguais? não, graças a Deus, não somos. fôssemos, seriamos obrigados a práticas bestiais, como a mutilação dos órgãos sexuais femininos, por exemplo, que, diariamente, dilacera corpo, vida e futuro de aproximadamente 6.000 meninas, a maioria africana.
práticas bárbaras como essa podem ser vistas no filme A Flor do Deserto, que retrata a vida da modelo e ativista somali Waris Dirie. não se trata de um filme tecnicamente brilhante, mas seu conteúdo impressiona e comove. impressiona e denuncia. impressiona e nos faz menores se confrontarmos a nossa própria capacidade de superação com a da mulher que, em sua trajetória de dor, não se deixou abater pela desgraça da mutilação. ao contrário, fez questão de se tornar famosa, não por vaidade, mas pelo que a fama lhe proporcionaria e a milhares de outras mulheres em forma de denúncia e inconformismo. ao botar a boca no trombone, essa somali admirável, expôs aos olhos do mundo a miséria dos rituais bárbaros milenares, a miséria das tradições. ao contar sua história, essa mulher linda e forte, desfilou aos olhos do mundo as dores que ela mesma sofreu ao ser vitimizada pela mutilação e, sobretudo, a dor de não se encontrar justificativa, em canto algum, sequer nos livros sagrados, para violência tão grande e medonha.
confrontando a história de Waris com a de outras mulheres vítimas de violência, qualquer uma, continua me assombrando a ausência de motivos, a barbaridade com que ainda se trata o ser humano, o descaso pela vida alheia, a indiferença à dor, à personalidade, à dignidade, ao direito de ser feliz e igual.
somos todos iguais? não, graças a Deus, não somos.
lamentavelmente, não. fôssemos, não permitiríamos que nossos iguais trouxessem consigo tantas máculas brutais.
mariza lourenço
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somos todos iguais? não, graças a Deus, não somos. fôssemos, seriamos obrigados a práticas bestiais, como a mutilação dos órgãos sexuais femininos, por exemplo, que, diariamente, dilacera corpo, vida e futuro de aproximadamente 6.000 meninas, a maioria africana.
práticas bárbaras como essa podem ser vistas no filme A Flor do Deserto, que retrata a vida da modelo e ativista somali Waris Dirie. não se trata de um filme tecnicamente brilhante, mas seu conteúdo impressiona e comove. impressiona e denuncia. impressiona e nos faz menores se confrontarmos a nossa própria capacidade de superação com a da mulher que, em sua trajetória de dor, não se deixou abater pela desgraça da mutilação. ao contrário, fez questão de se tornar famosa, não por vaidade, mas pelo que a fama lhe proporcionaria e a milhares de outras mulheres em forma de denúncia e inconformismo. ao botar a boca no trombone, essa somali admirável, expôs aos olhos do mundo a miséria dos rituais bárbaros milenares, a miséria das tradições. ao contar sua história, essa mulher linda e forte, desfilou aos olhos do mundo as dores que ela mesma sofreu ao ser vitimizada pela mutilação e, sobretudo, a dor de não se encontrar justificativa, em canto algum, sequer nos livros sagrados, para violência tão grande e medonha.
confrontando a história de Waris com a de outras mulheres vítimas de violência, qualquer uma, continua me assombrando a ausência de motivos, a barbaridade com que ainda se trata o ser humano, o descaso pela vida alheia, a indiferença à dor, à personalidade, à dignidade, ao direito de ser feliz e igual.
somos todos iguais? não, graças a Deus, não somos.
lamentavelmente, não. fôssemos, não permitiríamos que nossos iguais trouxessem consigo tantas máculas brutais.
mariza lourenço








