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28/08/2010

de delicadezas

dia desses li uma crônica de Ivan Ângelo sobre Michael Jackson e me comoveu a abordagem delicada do autor acerca daquele que foi um astro enquanto vivo e que, apesar de sua morte, ainda continua brilhando. 

segundo Ivan, Michael foi um menino aprisionado dentro de um homem, um menino que, durante sua existência, optou pela delicadeza e educação. e é verdade, para aqueles que acompanharam a trajetória de Jackson, não existe notícia de que tenha sido outra coisa senão um homem cortês, apesar dos mexericos, apesar das falsas denúncias de que tenha se aproveitado de garotos. é inegável que sua vida privada tenha se pautado pelo mistério, pelas dúvidas sobre sua orientação sexual, mas também é bastante conhecida sua conturbada história familiar, pontuada por agressões sofridas pelo pai. ainda assim, o homem escolheu ser delicado, quando poderia ter reproduzido a mesma violência que sofreu ao longo de sua vida.

dizem que de tudo podemos extrair preciosas lições e venho colecionando muitas, especialmente as que me fazem perseguir uma forma mais carinhosa e delicada de me relacionar com o mundo que me cerca. porque o mesmo mundo que costuma nos apresentar todo e qualquer tipo de problema e dor, é o mesmo mundo que nos oferece escolhas, deixando ao nosso arbítrio e bom senso a maneira de resolvermos as nossas pendengas sem precisarmos apelar para a agressividade e indelicadeza. e se há uma coisa que posso admitir com absoluta sinceridade é que, em todas as ocasiões em que explodi, revidando uma grosseria, o gosto que me restou na boca foi bem amargo.

mesmo correndo o risco de ser apontada como boba, piegas e, na pior das hipóteses, covarde, opto por não debater mais com todo aquele que se vale da descortesia para impor suas razões, sejam louváveis ou não. e para quem acredita que delicadeza é questão de berço, ouso afirmar que não, é questão de escolha. 

com certeza a melhor.

mariza lourenço

(imagem de Mauricio Antonio)
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22/08/2010

a Mulher. o Poder.

este espaço, para além da divulgação das minhas modestas divagações literárias, sempre foi e será dedicado à mulher. às suas lutas e conquistas. ao seu empodeiramento. não é a primeira vez que, em época de eleições, escrevo sobre a participação da mulher no cenário político e o quanto me desgostava o fato de que tão poucas mulheres se elegessem para a ocupação de cargos públicos.

no entanto, neste ano duas mulheres concorrem ao maior cargo de representatividade política, uma delas, inclusive, com chances significativas de ganhar o pleito das eleições de 2010. segundo dados do TSE, nestas eleições temos 737 candidatas a deputadas e 18 mulheres candidatas a senadoras. ainda é muito pouco, se estabelecermos comparações com outros países e, sobretudo, se levarmos em consideração que, no Brasil, as mulheres representam o maior contingente eleitoral.

de qualquer maneira, descontados os motivos que impedem a ampla participação feminina no universo político (e esse estado de coisas certamente mudará com o correto cumprimento da Lei  12.034/09), a mulher, cada vez mais, tem mostrado a que veio. se antes a igualdade real parecia um sonho difícil demais a ser perseguido, fato é que essa busca somente fortaleceu a mulher, modificando, ainda que não pareça, os rumos de uma sociedade tradicionalmente patriarcal, culturalmente machista.

e as constantes mudanças, me perdoem os homens, devemos a nós, mulheres, que se organizaram em movimentos e sairam da esfera privada para a vida pública, carregando dentro de si uma inesgotável capacidade, além de força, para empreender qualquer tipo de ação a que se proponha, e em qualquer espaço.

mas como nem tudo são flores, felicidade e vitória, e existe ainda um longo caminho a ser percorrido, precisamos, e de forma emergencial, acabar com todo e qualquer estereótipo que, em primeiro lugar, nos aponte principalmente como administradoras eficientes do lar ou como mães capazes de um aleitamento em massa. somos mães? somos. cuidamos de nossas casas? claro. mas somos, e vamos, além de nossas casas, de nossos filhos, de nossos peitos cheios de leite.

colocamos nossos filhos no mundo, alimentamos nossos rebentos, damos a eles nosso amor, cuidamos de nossos lares, cumprimos com nosso papel biológico, mas como seres humanos completos é a inteligência que determina nosso papel.

o mundo, afinal, não é mais desse ou daquela. é de todos.

mariza lourenço
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