de delicadezas
dia desses li uma crônica de Ivan Ângelo sobre Michael Jackson e me comoveu a abordagem delicada do autor acerca daquele que foi um astro enquanto vivo e que, apesar de sua morte, ainda continua brilhando.
segundo Ivan, Michael foi um menino aprisionado dentro de um homem, um menino que, durante sua existência, optou pela delicadeza e educação. e é verdade, para aqueles que acompanharam a trajetória de Jackson, não existe notícia de que tenha sido outra coisa senão um homem cortês, apesar dos mexericos, apesar das falsas denúncias de que tenha se aproveitado de garotos. é inegável que sua vida privada tenha se pautado pelo mistério, pelas dúvidas sobre sua orientação sexual, mas também é bastante conhecida sua conturbada história familiar, pontuada por agressões sofridas pelo pai. ainda assim, o homem escolheu ser delicado, quando poderia ter reproduzido a mesma violência que sofreu ao longo de sua vida.
dizem que de tudo podemos extrair preciosas lições e venho colecionando muitas, especialmente as que me fazem perseguir uma forma mais carinhosa e delicada de me relacionar com o mundo que me cerca. porque o mesmo mundo que costuma nos apresentar todo e qualquer tipo de problema e dor, é o mesmo mundo que nos oferece escolhas, deixando ao nosso arbítrio e bom senso a maneira de resolvermos as nossas pendengas sem precisarmos apelar para a agressividade e indelicadeza. e se há uma coisa que posso admitir com absoluta sinceridade é que, em todas as ocasiões em que explodi, revidando uma grosseria, o gosto que me restou na boca foi bem amargo.
mesmo correndo o risco de ser apontada como boba, piegas e, na pior das hipóteses, covarde, opto por não debater mais com todo aquele que se vale da descortesia para impor suas razões, sejam louváveis ou não. e para quem acredita que delicadeza é questão de berço, ouso afirmar que não, é questão de escolha.
com certeza a melhor.
mariza lourenço
(imagem de Mauricio Antonio)









