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29/09/2010

escritoras suicidas no ar: masturbação | proposta | phoenix

já está no ar a 42ª edição das Escritoras Suicidas, com os temas: masturbação | proposta | phoenix

esta edição, além das escritoras fixas, conta com as participações especialíssimas de Adélia Prado, Ana Peluso, Neusa Doretto e Soledade Santos.

as imagens são da fotógrafa e pintora Juh Moraes.

como sempre eu tô lá, fazendo graça... *;)

mariza lourenço

[imagem reduzida da sala de visitas do nosso site]
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26/09/2010

réquiem para o homem que não veio

nunca fui mulher de muita fé, mas assim que me juntei a ele aprendi a pedir. a pedir por sua volta, pela rede cheia de peixes, pela tranquilidade do mar. e é assim que tenho seguido minha modesta vida, com os olhos, feito contas, pregados no horizonte azul. há dois dias ele não vem, há dois dias as águas se agitam... e há dois dias meus olhos espreitam o infinito, perdidos em pedidos: qualquer coisa que me faça parar de rezar, qualquer coisa: um braço, uma perna, um pedaço de tábua.
nunca fui mulher de muita crença, mas já prometi à rainha que, em troca desse homem, lhe darei perfume e flor. qualquer coisa: uma mão, um olho azul, um remo partido.
nunca fui mulher de muita certeza, mas dele sou tão certa quanto a conta que mira o mar traiçoeiro. quanto a estrela que há de anunciar, agourenta, o terceiro dia de ausência.
qualquer coisa: um nervo exposto, um músculo dilacerado, um coração negro. o luto.
qualquer coisa que me faça parar de pedir.
mariza lourenço
[imagem de flávio machado]
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12/09/2010

de mim: entrevista para a rádio unesp fm

no dia 31/08, eu e minha voz de taquara rachada fomos entrevistadas por Oscar D'Ambrósio, coordenador de imprensa da Rádio Unesp FM, para o programa Perfil Literário. a entrevista, feita via telefone - já que no dia não tive condições de ir até o estúdio da rádio -, foi informal e bacana, sobretudo pela paciência do Oscar que, bastante gentil, fez vistas grossas às limitações desta 'gaga senhoura'.

para ouvir basta clicar aqui.

mariza lourenço

[imagem: eu mesmíssima ao telefone]
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07/09/2010

mãe, eu juro!

Mãe eu estou aqui a fim de lhe avisar
Que minha vida com ele não tem mais jeito não
Oh mãe!
Ele não trabalha, não faz nada
Só aparece de madrugada, todo alcoolatrado, com o corpo fechado
Depois dorme até as três
Levanta, lava a cara, toma café
Sai pra rua outra vez

Acha que é uma beleza
Entrar em casa destruindo tudo
Outro dia rasgou a minha blusa de veludo
E as duas combinação
Que eu ganhei da mulher do joão
Mãe eu juro, pela luz que me alumia
Se eu continuar com ele
Não me chamo mais maria

(Adoniran Barbosa).

em agosto comemoramos o centenário de Adoniran Barbosa, nascido em Valinhos, cidade onde moro.
em agosto a Lei Maria da Penha fez 04 anos.
em 07 de setembro o CMDM de Valinhos saiu às ruas, sob a chuva, e fez bonito. (depois mostro as fotos, porque o cabo que conecta a câmera ao micro resolveu falhar).
a postagem de hoje é homenagem a todas as Marias, Joanas, Claras, Cecílias. a toda mulher. 
Adoniran sabia das coisas.
a gente ainda tem muito a entender. e fazer.

(e eu vou tomar um antigripal, porque voltei encharcada pra casa. *;)

mariza lourenço
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06/09/2010

mea culpa


duas postagens atrás escrevi sobre delicadeza e educação, porque não há nada que me irrite mais do que lidar com gente grosseira e estúpida. não, não estamos livres de momentos de feira-livre, de barracos, de descontrole, mas o pior é que quanto mais a gente reza, mais assombração aparece. e foi exatamente isso que me aconteceu semana passada, acabei sendo alvo de um ataque imotivado de uma jovem caixa de unidade lotérica, onde, após um dia absolutamente tranquilo, resolvi pagar uma conta. como consumidora, óbvio que poderia ter chamado o gerente, poderia ter formalizado queixa, poderia ter quebrado o pau. não fiz. limitei-me a passar-lhe (na mocinha, claro) um 'sabão' e fui tomar sorvete de limão, meu preferido.

pelo bem da minha saúde, há tempos tenho condicionado meu humor àquilo que não me cause desgastes desnecessários. e bater boca, sinceramente, é cansativo demais. de maneira que fui tomar sorvete de limão. mas esse episódio reavivou a velha questão da falta de educação que parece ter se entronizado entre os jovens. e à falta de educação adicionemos aí uma dose substancial de arrogância e falta de respeito. tenho reparado, e não é de hoje, que as queixas em relação ao comportamento de nossa linda juventude são sempre as mesmas: falta de educação, arrogância, ausência de norte espiritual, individualismo exacerbado.

e a culpa é de quem? é nossa. creio que para se livrar de ranços passados, a sociedade se tornou excessivamente permissiva, valorizando, além da conta, a inteligência de nossas crianças em detrimento dos ensinamentos basilares de amor e respeito aos mais velhos e ao próximo. hoje, o que vemos são meninos e meninas bem servidos intelectualmente, mas absolutamente despreparados emocionalmente. e para preencher as 'lacunas' usam as ferramentas que lhes têm sido ofertadas por um mundo que privilegia a matéria e trata as coisas do coração e da alma com descaso.

pois é, a gente colhe o que planta. lado outro, na condição de esperançosa convicta, acredito que nunca é tarde pra se torcer o pepino, ainda que o pepino faça cara feia, xingue e berre. afinal, o futuro do planeta depende dele. e a construção de uma sociedade mais justa, também.

mariza lourenço

[imagem de dan bailey]
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01/09/2010

exercício - por toda a minha vida


toda a minha vida estava lá naquelas linhas naqueles olhos naquele jeito morto de viver o presente naquela ausência de futuro.

todas as minhas raízes os meus dias o meu útero as minhas lágrimas estavam lá encerrados em sulcos velhos e maltratados.

aquelas chamas quase extintas foram as únicas desculpas para as minhas escolhas tristes meus erros. para minhas alegrias tão poucas.

a minha consciência abrutalhada o meu medo era aquilo eram eles era eu e meu umbigo diante do espelho e da dor insuportável da miséria do nada.


eu ou eles e a minha fuga a. porta fechada:
eu e a vontade de matar a minha própria história.


mariza lourenço

[imagem de julian e. knoop]
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