nada pessoal
já dei início a várias postagens sobre cinema. deletei todas. tenho sérias dúvidas acerca da minha competência como comentarista e crítica dessa arte, embora seja paixão antiga e maior. de maneira que prometi a mim mesma que, desta vez, não vou deletar nada, ainda que o erro seja maior que a intenção.
eu sou cinéfila, daquelas afoitas, não perco nada e, pior, muitas vezes nem tenho paciência de esperar por estréia de filme. mas descontada a pressa, eu sou chata e estabeleço critérios que, de certa forma, evitam a decepção que inevitavelmente se segue a uma fita ruim. antes de assistir a um filme vasculho tudo a respeito, desde a ficha técnica até as notas do imdb. sucesso e popularidade contam pouco pra mim, mesmo porque, se assim fosse eu passaria a vida assistindo a filmes de aventura, ação e horror, gêneros que, sinceramente, não me atraem.
e dou início à minha tentativa com um filme bárbaro e profundo que, confesso, inicialmente atraiu minha atenção por ter no elenco Stephen Rea, um dos melhores atores em ação, atualmente, em minha opinião.
Nothing Personal (Nada Pessoal) é um filme irlandês, com uma temática bastante interessante e fotografia poderosa, daquelas que arrancam das paisagens, um bocado cinzas e chuvosas da Irlanda, onde se passa a maior parte da trama, uma vivacidade surpreendente. e é aí que mora a receita do bolo, porque personagens se confundem com a paisagem, numa integração belíssima e natural.
e o filme trata do que, afinal das contas? da opção solitária pela perda de identidade, da necessidade de desconstrução, do 'atirar' ao lixo o passado e, com ele, tudo que se relacione à nossa identidade e aos valores experimentados em nossa trajetória.
é filme de amor? sim. também é filme de amor, de um amor desapaixonado, de um encontro inicialmente raivoso, e de uma delicadeza impressionante. a despeito do 'ocultamento' do passado e identidade de ambos evidencia-se a preocupação pelo 'outro'. muito bacana.
há que se destacar, no entanto, que embora a opção seja pela perda da identidade, a natureza humana é travessa e curiosa e, no caso desse filme, foi explorada com muita graciosidade, sem descaracterizar a firmeza das escolhas.
o primeiro destaque do filme vai para a cena inicial, linda. o segundo, para a direção perfeita e segura da polonesa Urszula Antoniak, e o terceiro, naturalmente, vai para os atores principais, a belíssima e talentosa Lotte Verbeek e o já citado Stephen Rea, verdadeiro 'roubador' de cenas e que nesse filme faz o papel de um homem recluso, com uma intuitiva carga de sofrimentos atrás de si.
abaixo, a ficha técnica:
Nothing Personal (Nada Pessoal): 2009
País: Irlanda
Direção e Argumento: Urszula Antoniak
Intérpretes: Stephen Rea e Lotte Verbeek
Duração: 85 min.
Sinopse: Anna decide mudar drasticamente de vida, e deixar tudo para trás ao sair do seu país, Holanda, e rumar á Irlanda, onde se abandona à solidão, até encontrar uma quinta onde vive um homem que também tem o seu quê de eremita...
mariza lourenço
[a imagem que ilustra esta postagem é parte do cartaz promocional do filme]
eu sou cinéfila, daquelas afoitas, não perco nada e, pior, muitas vezes nem tenho paciência de esperar por estréia de filme. mas descontada a pressa, eu sou chata e estabeleço critérios que, de certa forma, evitam a decepção que inevitavelmente se segue a uma fita ruim. antes de assistir a um filme vasculho tudo a respeito, desde a ficha técnica até as notas do imdb. sucesso e popularidade contam pouco pra mim, mesmo porque, se assim fosse eu passaria a vida assistindo a filmes de aventura, ação e horror, gêneros que, sinceramente, não me atraem.
e dou início à minha tentativa com um filme bárbaro e profundo que, confesso, inicialmente atraiu minha atenção por ter no elenco Stephen Rea, um dos melhores atores em ação, atualmente, em minha opinião.
Nothing Personal (Nada Pessoal) é um filme irlandês, com uma temática bastante interessante e fotografia poderosa, daquelas que arrancam das paisagens, um bocado cinzas e chuvosas da Irlanda, onde se passa a maior parte da trama, uma vivacidade surpreendente. e é aí que mora a receita do bolo, porque personagens se confundem com a paisagem, numa integração belíssima e natural.
e o filme trata do que, afinal das contas? da opção solitária pela perda de identidade, da necessidade de desconstrução, do 'atirar' ao lixo o passado e, com ele, tudo que se relacione à nossa identidade e aos valores experimentados em nossa trajetória.
é filme de amor? sim. também é filme de amor, de um amor desapaixonado, de um encontro inicialmente raivoso, e de uma delicadeza impressionante. a despeito do 'ocultamento' do passado e identidade de ambos evidencia-se a preocupação pelo 'outro'. muito bacana.
há que se destacar, no entanto, que embora a opção seja pela perda da identidade, a natureza humana é travessa e curiosa e, no caso desse filme, foi explorada com muita graciosidade, sem descaracterizar a firmeza das escolhas.
o primeiro destaque do filme vai para a cena inicial, linda. o segundo, para a direção perfeita e segura da polonesa Urszula Antoniak, e o terceiro, naturalmente, vai para os atores principais, a belíssima e talentosa Lotte Verbeek e o já citado Stephen Rea, verdadeiro 'roubador' de cenas e que nesse filme faz o papel de um homem recluso, com uma intuitiva carga de sofrimentos atrás de si.
abaixo, a ficha técnica:
Nothing Personal (Nada Pessoal): 2009
País: Irlanda
Direção e Argumento: Urszula Antoniak
Intérpretes: Stephen Rea e Lotte Verbeek
Duração: 85 min.
Sinopse: Anna decide mudar drasticamente de vida, e deixar tudo para trás ao sair do seu país, Holanda, e rumar á Irlanda, onde se abandona à solidão, até encontrar uma quinta onde vive um homem que também tem o seu quê de eremita...
mariza lourenço
[a imagem que ilustra esta postagem é parte do cartaz promocional do filme]








