semana nacional da conciliação: 29/11 a 03/12
hoje, 29/11/2010, tem início a 5ª edição da Semana Nacional da conciliação.
"A Semana Nacional da Conciliação foi instituída pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), está em sua 5ª edição e tem como objetivo difundir meios alternativos para a solução dos conflitos. Estão cadastrados processos em andamento na 1ª e 2ª Instância, além dos pré-processuais, ou seja, aqueles conflitos que ainda não se transformaram em ações judiciais. Os processos de conciliação serão feitos até o dia 03/12.
(...)
As tentativas de acordo abordarão assuntos como os de competência dos Juizados Especiais Cíveis; outros que envolvem consumidores, bem como questões relacionadas ao direito de família, incluindo pedidos de divórcio, regulamentação de visitas, guarda de filhos e pensão alimentícia."
Fonte: TJSP
conversando é que se entende
quando me formei, saí da faculdade, assim como a maioria dos colegas que optou pela advocacia, almejando grandes contendas, ou seja, o que predominava era a cultura da sentença, onde uma das partes vence e a outra, claro, perde. não nos interessavam acordos, queríamos mostrar o quanto éramos bons e eficientes no manejo das leis. só que, graças a deus, a teoria na prática provou ser outra e a experiência acumulada ao longo de todos esses anos me transformou em fã ardorosa das conciliações e mediações.
no entanto, a modificação do meu olhar profissional teve uma colaboração preciosa do destino quando, há quase quinze anos, resolvi me tornar conciliadora no JEC e, mais recentemente, mediadora nas áreas cível e de família da Comarca local. a visão simplista de que conciliação e mediação servem somente para desafogar o poder judiciário cedeu lugar à idéia de que, realmente, é conversando que se entende, e é dialogando que se dirime um conflito. na área de família, especialmente, ao presidir uma mediação (as audiências, ou encontros, são caracterizados pela informalidade), o objetivo principal sempre será o restabelecimento do diálogo entre as partes. o acordo é, naturalmente, desejado, entretanto, mais desejado ainda é que as partes consigam voltar a conversar para que, no futuro, não exista mágoa ou conflito que as impeça de crescer e conviver harmonicamente sem a eterna tutela do judiciário. porque a experiência, também, tem provado que parte insatisfeita com sentença judicial (e uma sentença sempre vem após a regular instrução processual. e uma das partes sempre sairá insatisfeita, é fato) é garantia de volta às barras do judiciário e, geralmente, com a mesma mágoa. na área cível, da mesma maneira, a conciliação é instrumento eficaz para a promoção de acordos em processos que podem se arrastar durante anos ou que já estejam nessa condição, causando desgastes desnecessários entre as partes e àqueles que se socorrem da justiça para a satisfação de seus direitos.
é isso aí, conversar vale a pena. eu fui escalada para as audiências de amanhã, dia 30. que os ventos estejam favoráveis e todo mundo fique feliz.
mariza lourenço
[imagem de henrik weis]












