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3 de ago. de 2012

o padre

às quartas-feiras me olhava com cara de quem comeu e não gostou e suspirando, indignado, me abria a porta do confessionário antecipando-me as penitências, todas elas bem maiores que os pecados que eu confessava ter. com olhos de desprezo me olhava, como se fosse eu uma pintura mal-acabada de Maria, a Madalena, que não tem cura e não se emenda, mariposa de noites sujas iluminada pela indecência das ruas. com voz de culpa me falava, sentindo-se por mim ofendido, "sujeita ousada", que desrespeitando-lhe o rebanho, fazia barulho com os saltos e sob a transparência do vestido convidava ao pecado. podia sentir-lhe a respiração pesada através da treliça que nos separava, recriminando-me a invasão da hora Sagrada, quando uma multidão de ovelhas carcomidas silenciosamente desfiava nas contas do Rosário suas preces e ladainhas. mesmo assim, continuava me abrindo a porta, às quartas, hora da Ave-Maria, e em todas as despedidas enojado dizia "va¡ e não peques mais!". a isso eu não respondia, só ria um riso escondido, que não era de pilhéria, era mais um sorriso frouxo de quem colheu o que plantou!

mariza lourenço

[imagem ©creativeDIYkei]


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28 de jul. de 2012

voltando...

pois é, povo, voltei!

muita coisa aconteceu no primeiro semestre, muita coisa ainda há de acontecer no segundo semestre, mas ter optado em desativar meu proseando, no ar desde 2004, não me agrada nem um pouco, de maneira que resolvi reativá-lo.

estou participando de outro blogue, NÓSTRES, em companhia de dois amigos poetas, Alberto Bresciani e Vagner Muniz, vale a pena conferir.

resolvi também arquivar as postagens antigas, porque se é pra voltar, quero tudo novo de novo, sem me esquecer, naturalmente, dos bons momentos, das amizades que colhi ao longo desses anos na blogosfera e do quanto cresci e vi crescer a escritora e cronista.

ainda não pensei, preciso admitir, o que irei postar daqui por diante, embora saiba que este espaço continuará servindo para meus pios informais e diálogos internos. vejamos como fica, como eu fico, como fica, sobretudo, a minha mão. *;)

depois de tanto tempo ausente, não sei mais quem me lê, onde foram parar meus amigos blogueiros, mas vou buscá-los, ah se vou. assim como me busquei.

poeminha?

assim, a poesia
vento que levanta
a saia
: e brinca.

beijos enormes.

mariza
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