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20 de ago. de 2012

abismo

cheguei à conclusão de que este espaço me faz bem e de que a escrita solitária me faz melhor ainda, porque embora não sobreviva dela, é dela que me alimento para dias como este, em que me sinto um peixe morrendo pelas guelras. e arrancar da asfixia algo que valha a pena é exercício árduo de respiração.

foi assim, o sonho, dia desses:

eu caminhava sozinha. à frente o caminho se bifurcava. esse ou aquele? ou o que ficou para trás? retornar sempre se assemelhou à batida insistente de uma tecla aleijada. de maneira que segui em frente, sem eleger caminhos, deixando-me levar por um fio de crença: adiante, talvez, a luz. segure mais essa, mariza, adiante o que há é precipício. segurei e foi na beira. as mãos doloridas. os pés dançando no ar. segure mais, mariza, o fosso é profundo. agora, a escolha é outra. acima ou abaixo? o voo, a falta de ar. o passado é uma teta estéril. o presente é este. a dádiva graciosa de poder soltar as mãos. e o futuro é um segredo que, talvez, eu não queira desvendar.


mariza lourenço

[imagem de ©moshitrip]
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30 de dez. de 2011

que venha 2012!

o Natal passou, o ano já vai embora e, confesso, não vejo a hora de ver nascer 2012. este ano foi difícil demais em todos os sentidos. de rápidas mudanças e pouquíssimo tempo para digestão. mas devo dizer que, ao final de tudo, me surpeendi com a minha capacidade de engolir, com classe, uma lagoa inteira de sapos.

foi um ano custoso, mas também de acolhimento e de exercício da tolerância. a maior parte do ano convivi com problemas que não eram meus e não me arrependo. eu cresci. e se pude colaborar para diminuir um pouco o sofrimento alheio já me dou por absolutamente satisfeita.

2011 foi difícil sim, mas foi também um ano de descobertas a meu respeito e a respeito do que me cerca. do que é importante, do que não é tão importante e do que não significa absolutamente nada. e o que fazer com o que não tem tanta importância e com aquilo que não significa absolutamente nada? mandar pro lixo, claro. porque uma coisa é carregar entulho o ano inteiro por necessidade e outra, bem diferente, é arrastar o entulho pro ano seguinte sem necessidade alguma.

e esta foi uma das coisas que mais aprendi a meu respeito e do que me cerca. de que o apego excessivo, ao que quer que seja, faz mal, impede o crescimento e nos deixa a sensação de sermos figurinhas repetidas de álbuns infantis.

e quase no finalzinho deste ano redescobri o prazer de postar em meu blogue, de escrever tortamente minhas confissões, de cometer um ou outro texto metido a poema, de receber amigos tão queridos, e de tantos anos, em minha caixinha de comentários. e de conhecer outros e me encantar com a beleza da palavra, com a competência de quem sabe exatamente como derramar no papel seus versos e suas prosas.

então, neste ocaso de um ano difícil, minha mensagem será especialmente destinada àqueles que usam da palavra escrita em seus blogues para levarem a todos a arte que não morre, que transcende distâncias, que prescinde de explicações.

que o próximo ano nos renove, meus queridos escribas blogueiros, que nos traga aquilo que tem de melhor, que mantenha em fogo alto a chama da criatividade, que não deixe morrer a vontade de escrever.

a todos os amigos, de longe, de perto, daqui e acolá, mas que, dentro de mim, estarão sempre grudados, um Ano Novo repleto de paz, amor e saúde.

e que venha 2012! e que seja um ano feliz!

beijos, mais beijos e meu melhor carinho.


mariza lourenço

[imagem ©greentheory]
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