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20 de ago de 2012

abismo

cheguei à conclusão de que este espaço me faz bem e de que a escrita solitária me faz melhor ainda, porque embora não sobreviva dela, é dela que me alimento para dias como este, em que me sinto um peixe morrendo pelas guelras. e arrancar da asfixia algo que valha a pena é exercício árduo de respiração.

foi assim, o sonho, dia desses:

eu caminhava sozinha. à frente o caminho se bifurcava. esse ou aquele? ou o que ficou para trás? retornar sempre se assemelhou à batida insistente de uma tecla aleijada. de maneira que segui em frente, sem eleger caminhos, deixando-me levar por um fio de crença: adiante, talvez, a luz. segure mais essa, mariza, adiante o que há é precipício. segurei e foi na beira. as mãos doloridas. os pés dançando no ar. segure mais, mariza, o fosso é profundo. agora, a escolha é outra. acima ou abaixo? o voo, a falta de ar. o passado é uma teta estéril. o presente é este. a dádiva graciosa de poder soltar as mãos. e o futuro é um segredo que, talvez, eu não queira desvendar.


mariza lourenço

[imagem de ©moshitrip]

6 comentários:

Assis Freitas disse...

um sonho, sonho


bj

8:42 AM
Dona Sra. Urtigão disse...

Mais interessante que seu sonho, eu achei, foi estar lendo nas primeiras frases suas o que eu estava pensando.

2:21 PM
erre amaral disse...

bárbaro! erre.

4:35 PM
AC disse...

Por mais que se tente, a análise do exercício da escrita ficará sempre incompleto...

Bj

11:56 AM
Anônimo disse...

Oi, Mariza: aparecendo por aqui pra olhar suas novidades. Trabalhando muito, hein? Dê o ar de sua graça... Sinto saudades de tempos idos e não vindos...
Um beijão e seja muito feliz!

Bené Chaves

11:35 AM
Any disse...

Adorei o poema e o blog!

5:40 PM

seja bem-vindo, bem-vinda.

será um prazer ler e responder seu comentário, no entanto, optei por não aceitar comentários anônimos, ofensivos ou que, de alguma maneira, possam constranger aqueles que gentilmente se dispõem a me visitar.

grata,

mariza lourenço

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