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31 de jul de 2012

tango

Ainda danço tango / Com teus ternos / Guardados no armário.
Ainda faço amor / No mesmo ritmo / Das lembranças / De tua lí­ngua.

Ele não voltou para pegar suas roupas e eu não joguei nada fora: nem as gravatas, nem a flor seca que ainda teima em espalhar um cheiro de despedida pelo quarto.

Deixei tudo lá para me servir de choro e castigo, para me fazer rastejar, sozinha, de culpa e desejo.

Ai, a ausência que nada preenche:

Nem os dedos, nem a vontade que surge quando não peço, nem esta pouca vergonha que me faz gemer seu nome enquanto me arrasto pelo chão.

Nem o tango que ouço enquanto umedeço.

Nem a saudade me revirando por dentro.

Nada preenche:

A fome.

...e a lembrança de suas mãos desenhando em meu corpo todos los pasos de amor.

mariza lourenço
[imagem ©penetre]

4 comentários:

A. Zarfeg disse...

Deixa estar que ele volta... Mas, se não voltar, vai ficar tudo bem. Nem é preciso trocar Gardel por Wando... Jamás!

3:49 PM
Alberto Bresciani disse...

Literatura no clima do tango, Mariza!

9:37 PM
vagner muniz disse...

todos los pasos, todos, todos, todos...

11:55 AM
Anônimo disse...

teste

10:16 AM

seja bem-vindo, bem-vinda.

será um prazer ler e responder seu comentário, no entanto, optei por não aceitar comentários anônimos, ofensivos ou que, de alguma maneira, possam constranger aqueles que gentilmente se dispõem a me visitar.

grata,

mariza lourenço

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